Manifestantes deixam obras de Salto Caxias
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Paulo Pegoraro 
O grupo de cerca de 150 pessoas que permanecia nas imediações do canteiro de obras da Usina de Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques (77 quilômetros ao sul de Cascavel), deixou o local na noite de anteontem, depois de manifestações iniciadas na semana passada, exigindo da Copel inclusão em programas de indenizações. No início da semana, havia mais de seiscentas pessoas no local. A passagem de caminhões e operários da Copel chegou a ser impedida. A Polícia Militar teve que agir.
A saída do grupo remanescente foi decidida em reunião de uma comissão com o deputado Nereu Moura (PMDB). Segundo o deputado, representantes de municípios da região onde ocorrem impactos sociais e econômicos das obras da hidrelétrica estarão segunda-feira em Curitiba para audiência com diretores da Copel, na expectativa de que sejam avaliadas as reivindicações. Se a Copel não indenizar todos os que têm direito, voltaremos com milhares de pessoas e obstruiremos a usina, ameaçou o deputado.
Igual ameaça havia sido feita pelo presidente do Movimento dos Atingidos pela Barragem Elétrica de Salto Caxias (Mabesc), Assis Malacarne, que está sumido desde a noite de terça-feira, quando a PM tentou prendê-lo, cumprindo determinação judicial. Em inquérito policial, Malacarne é acusado de descumprir a ordem da Justiça, de incitar à desordem e de ludibriar pequenos comerciantes e agricultores, com a promessa de que receberiam indenização pelo alagamento que ocorrerá no final do ano, com o fechamento das comportas da usina. A Copel assegura que esta compensação já está sendo feita a quem tem direito.


