Manifestações reúnem entidades no PR
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sexta-feira, 30 de abril de 1999
Silvana Leão 
O Fórum Municipal de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania realizou ontem de manhã, no Calçadão de Londrina, um ato público para protestar contra o modelo econômico adotado pelo governo FHC e as administrações dos governos estadual e municipal. Na véspera do Dia do Trabalho, uma das bandeiras das 41 entidades que fazem parte do Fórum Municipal e que participaram da manifestação foi o aumento do desemprego gerado pela atual política econômica.
Cerca de 300 pessoas, entre desempregados, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central de Movimentos Populares (CMP), sindicalistas, políticos e estudantes participaram do ato, que contou com intervenções de artistas e do secretário-geral do Sindicato dos Bancários, Paulo Lima.
Vestido de paletó, gravata, cartola e com o rosto coberto por um lenço e óculos escuros, Lima permaneceu em uma piscina de plástico cheia de lama. Nada a declarar, repetia durante todo o tempo.
André Vargas, que participa da coordenação do Fórum, explicou que a encenação representava o mar de lama em que se transformaram os diversos setores do governo, onde a corrupção está mais latente do que nunca. Segundo ele, o objetivo do Fórum, que vem sendo organizado em várias cidades do País, é alertar a população sobre a forma como as autoridades vêm agindo.
A partir desta conscientização, é preciso pressionar por maior transparência em todas as esferas do poder público, cobrando, também, democracia na definição de prioridades e distribuição de recursos.
Para o ex-deputado federal Nedson Micheleti, membro do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), o mais importante é a retomada de mobilização pela sociedade. A população está saindo da apatia, num processo crescente que é muito bom para forçar o governo a adotar políticas sociais.
Entre os presentes à mobilização de ontem, estavam várias mulheres acompanhadas de crianças. Uma delas, Sandra Regina Simão, 22 anos, foi com o filho Natan, de 1 ano, e pretendia passar toda a manhã carregando a bandeira da CMP e o garoto nos braços.
Ela mora no assentamento do Conjunto São Lourenço (zona sul de Londrina), sozinha com os dois filhos (o marido morreu há cerca de um ano). Vim aqui para reivindicar ajuda. Só assim eles (os governantes) vêem como está a situação.


