Silvana Leão
De Londrina
Cerca de 250 representantes de entidades civis e igrejas, ligadas ao movimento ‘‘Londrina Exige o Fim da Violência’’, aproveitaram o dia do aniversário da cidade para participar, ontem de manhã, de uma passeata no Calçadão de Londrina. O ‘‘Dia de Luto’’ – como foi chamada a manifestação – começou às 10 horas e teve como objetivo protestar contra as possíveis irregularidades em órgãos da administração municipal e alertar a população para o problema.
Várias faixas pedindo o fim da corrupção foram exibidas pelos participantes, que usaram roupas ou tarjas pretas como forma de demonstrar indignação. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) pediu aos lojistas que baixassem as portas dos estabelecimentos durante 10 minutos, enquanto os manifestantes estivessem passando pelo Calçadão. Mais da metade das lojas aderiu ao protesto, várias exibindo faixas de luto na porta.
‘‘A Acil nos pediu e achamos importante aderir ao protesto. Se existe mesmo algo errado na administração pública, precisamos começar a moralizar’’, justificou o gerente da Ponto Frio, João Antonio de Oliveira. Já o gerente da Riachuelo – uma das que optaram por continuar com as portas abertas –, Antonio Sampaio de Andrade, explicou que como empresa, a loja deve manter uma postura apolítica. ‘‘Nós só participamos de atos que digam respeito estritamente às questões do comércio.’’
Vários consumidores que faziam compras no momento do protesto pararam para assistir à passeata. ‘‘As pessoas mais esclarecidas têm que começar a fazer alguma coisa para levar a informação aos que não têm acesso a ela’’, afirmou a corretora de imóveis Luci Souza dos Santos.
Ao longo da passeata, os manifestantes encontraram alguns ‘‘obstáculos’’ para chegar ao ponto determinado para encerrar o movimento, em frente ao Crystal Palace Hotel. No trecho do Calçadão próximo à Praça Marechal Floriano, um caminhão da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e vários funcionários realizavam a poda de árvores. Mais à frente, perto do Coreto, outro grupo de manifestantes impediu que os participantes do ‘‘Dia de Luto’’ chegassem até o final.
Quanto à poda de árvores, a Comurb esclareceu que foi um procedimento de rotina que não foi suspenso porque oficialmente o órgão não recebeu nenhuma comunicação sobre o protesto. ‘‘Estamos correndo para deixar o centro da cidade em ordem para o Natal. Achamos que o protesto seria só em frente ao Coreto, onde evitamos colocar funcionários trabalhando’’, explicou Humberto Rodrigues de Lima, diretor de manutenção e serviços da Comurb.
Alguns líderes do grupo de manifestantes que programou a outra ação no Calçadão, bem no momento da passeata, explicaram que resolveram organizar o protesto para reivindicar a emissão de notas fiscais pelos comerciantes. ‘‘Nós também estamos contra a corrupção, mas a diferença é que lá estão os colarinho-brancos e aqui estão os pobres, que precisam de creches e obras construídas com o dinheiro dos impostos’’, afirmou Olivina Leonel, líder comunitária do assentamento São Jorge (zona norte), de onde veio a maioria dos manifestantes, trajando camiseta verde e amarela e carregando faixas, bandeiras do Brasil e apitos.
Beatriz da Silva, que participava como representante do Movimento dos Sem-Teto, negou que o grupo tivesse feito o protesto a convite de alguém. ‘‘Nós vimos no jornal que ia ter uma manifestação de empresários e resolvemos vir, porque colarinho-branco não paga imposto, só os pobres.’’ Durante o protesto das entidades civis, foram distribuídas cartas apócrifas contendo a logomarca da Acil. A carta pede, entre outras coisas, remoção dos camelôs do centro para a periferia da cidade e proibição dos mototaxistas de circularem. A assessoria de comunicação da Acil esclareceu que o documento não foi preparado pela entidade, que em momento algum se posicionou contra os camelôs e mototaxistas.
Às 12h15, depois de várias lideranças falarem da importância da manifestação e da cobrança de providências, o movimento terminou com todos rezando o Pai-Nosso. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, Newton Moratto, avaliou como positiva a participação da população na manifestação. ‘‘Superou as nossas expectativas’’, afirmou.Dois diferentes grupos se encontraram no centro da cidade durante protestos realizados ontem, dia do aniversário de Londrina
Paulo WolfgangPASSEATAPortando faixas e cartazes, manifestantes atravessaram o Calçadão rumo ao Coreto próximo à Rua QuintinoPaulo WolfgangDia de muita movimentação na área central de Londrina, com dois protestos de grupos diferentes

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