A interrupção do tráfego de ônibus, justamente no horário do almoço, deixou pelo menos 60 mil londrinenses sem ter como ir ao trabalho e voltar para casa. A dona de casa Aparecida Celis Biolar estava desesperada ontem à tarde no Terminal Urbano por causa de sua filha de 21 anos, que estava com ela. A jovem tem uma doença que provoca convulsões quando ela fica muitas horas sem comer. Elas estavam no local desde às 10 horas.
''Não tive dinheiro pra comprar nada e não posso voltar pra casa. Não sei o que fazer'', disse Aparecida. A doméstica Édna Gomes Pacheco, que trabalha na avenida Maringá (zona oeste), faltou ao serviço pelo segundo dia seguido na quinta, outro protesto no Terminal impediu que seu ônibus chegasse. ''Isso aí está errado. A passagem está cara mesmo, tem que protestar. Mas não pode impedir os ônibus de sair'', criticou.
Situação igualmente ruim sofreu a estudante R.C.F., 15 anos. Ela estava chegando no Terminal quando o protesto começou e passou três horas dentro do ônibus paralisado na rua Hugo Cabral. ''Fiquei eu o motorista e mais três caras. Como achei que não ia demorar muito para liberarem fiquei esperando'', afirma.
Depois da confusão, ela perdeu a esperança de ir para o curso e foi a pé para casa, no Jardim San Fernando (zona sul) acompanhada de mais duas amigas. ''É melhor ir embora a pé do que correr o risco de morrer'', afirma a estudante V.R.O., 15 anos, que até o atropelamento engrossava parte da multidão em volta do Terminal que não protestava e sim aguardava a volta do serviço.
Nos pontos de ônibus próximos ao Terminal o drama se repetia. A porteira Gueomar Ferreira, 54 anos, tentava retornar à Vila Casoni, num ponto da avenida Leste-Oeste. ''Eu, meu filho e minha neta estamos aqui desde às 13h15. Olha aí meu ônibus!'', gritou com alívio, já perto das 17 horas.
O mesmo alívio não teve a dona-de-casa Diva dos Santos Santana, 40 anos. Cansada de esperar o ônibus que ia direto para o Jardim São Lourenço (zona sul), ela optou pelo caminho mais difícil, se dirigindo para o Terminal Acapulco. ''E eu que só vim aqui pagar umas contas. A gente sai e não sabe mais se volta'', suspirou, junto aos dois filhos pequenos.
Apesar de aguardar o ônibus por quase duas horas, a empregada doméstica Claudinéia Regina da Silva, 23 anos, era a única que estava contente no ponto da rua Sergipe. O motivo era o filho que ela acabara de ter na Maternidade Municipal e que carregou a pé até o ponto. Nos braços da mãe, o recém-nascido esperava para conhecer o novo lar, no Parque das Indústrias, alheio aos tumultos da sexta-feira 13. (Colaboraram Adriana Savick, Vanessa Navarro e Janaina Garcia)

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