Manifestação pedirá fim de baderna do MST
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Uma manifestação que está sendo apresentada como protesto contra a baderna e violência nas ações lideradas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) será realizada hoje à tarde, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel), com expectativa dos organizadores de reunir dez mil pessoas. O protesto é liderado pela Associação dos Prestadores de Serviços da Araupel (Apressa) e Associação Comercial e Industrial de Quedas do Iguaçu (Aciqi).
A empresa Araupel (ex-Giacomet-Marodin), com sede em Quedas do Iguaçu, e que atua nos setores madeireiro, de celulose e agropecuária, é dona de 66 mil hectares de terras na região, e uma de suas fazendas, a Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu, teve 16,9 mil hectares desapropriados no início do ano para assentamento de sem-terra.
Um dos gerentes, Roni Chiochetta, é o presidente da Aciqi. Vítor Laurindo Machado, presidente da Apressa, é dono de transportadora que presta serviços à Araupel. Apesar das vinculações, Machado diz que a Araupel não influenciou na decisão de realizar a manifestação, embora os diretores devam participar. Segundo Machado, a Apressa foi criada recentemente por 100 firmas que têm negócios com a Araupel e empregam quatro mil pessoas. Machado diz que ações lideradas pelo MST espalham intranquilidade.
O MST reivindica a desapropriação dos 30 mil hectares restantes da Fazenda Pinhal Ralo para instalar todas as 1.350 famílias acampadas, das quais o Incra só garante o assentamento de 900, nos 16,9 mil hectares desapropriados. Segundo Machado, na hipótese de isso ocorrer e a empresa ficar inviabilizada e parar, Quedas do Iguaçu, que tem 24,6 mil habitantes, ficaria com, no máximo, cinco mil. Aqui, tudo está ligado a Araupel, diz.
A empresa do presidente da Apressa sobrevive dos negócios com a Araupel. Machado diz transportar 90% da produção de madeira. Ontem, a transportadora de Vítor Machado levou para São Paulo as seis primeiras cargas de papel cartão da indústria da Araupel, o mais novo empreendimento do grupo.
A manifestação de hoje em Quedas do Iguaçu quer contestar a baderna, anarquia, intranquilidade e violência que atingem o Brasil, e principalmente o Paraná, no que tange às ações lideradas pelo MST, segundo os organizadores. A Folha procurou por telefone coordenadores do MST na região e em Curitiba para comentar as acusações, mas eles não foram localizados.


