Manifestação lembra conflito de 1988
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
Professores, funcionários e alunos da rede de ensino público estadual realizaram ontem uma passeata para lembrar o dia 30 de agosto de 1988, quando professores foram agredidos por policiais militares em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Queremos marcar a data, pois fatos como aquele não podem se repetir, disse o diretor estadual do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), Miguel Baez. Os manifetantes também fizeram reivindicações que, segundo a direção do sindicato, são as mesmas de dez anos atrás.
Baez disse que a manifestação de 1988 era pacífica, e foi abafada com violência pelo governo do Estado. Foi um ato covarde que não pode ser esquecido. O então governador Álvaro Dias teria sido responsável pela violência, segundo o diretor de imprensa do sindicato, José Lemo. O governador disse que o palácio não era camping, e nos deu um minuto para sair, declarou.
Desde então, o ex-governador e atual candidato ao Senado Álvaro Dias afirma ter pedido desculpas várias vezes ao sindicato. Assim como os professores se magoaram, eu também me magoei. Apesar de não ter responsabilidade dos atos cometidos pela PM, eu assumi tudo. Para Álvaro Dias, a questão está superada. O episódio foi explorado exaustivamente, maliciosamente e desonestamente por alguns políticos. A manifestação de hoje é muito mais para o atual governo.
Os manifestantes também reivindicavam a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, o estabelecimento do piso salarial por hora de trabalho, a criação de um concurso público para a admissão de novos professores e denunciavam a queda nos salários da categoria. Em 1995, o piso dos professores era de 2,04 salários por 20 horas de trabalho. Hoje, o piso para as mesmas 20 horas caiu para 1,95 salários, disse José Lemo.
A manifestação reuniu os 23 grupos do sindicato espalhados por todo o Estado, num total de cerca de 5 mil pessoas - segundo o sindicato - na Praça Santos Andrade, de onde seguiram em passeata até o Palácio Iguaçu.


