Ney de SouzaAdesãoSindicatos e entidades populares engrossaram a manifestação Um protesto de sindicalistas, professores e estudantes contra os governos de Fernando Henrique Cardoso e Jaime Lerner interditou ontem, por mais de uma hora, a Ponte da Amizade, agravando o movimentado tráfego diário na fronteira entre Brasil e Paraguai. A manifestação se estendeu das 8h20 às 9h25 e reteve do lado brasileiro pelo menos 1.500 pessoas, entre sacoleiros e funcionários de empresas de Ciudad del Este que moram em Foz do Iguaçu.
Em determinado momento, cerca de 15 sindicatos regionais filiados à Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e entidades populares engrossaram a manifestação. A tônica dos discursos passou a ser, então, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
Das 8h50 até o final do protesto, os manifestantes impediram que as outras pessoas atravessassem a ponte. Revoltados, os sacoleiros tentaram furar o bloqueio. Houve um princípio de tumulto, mas não foram registrados confrontos e ninguém ficou ferido, segundo a Polícia Rodoviária Federal, que acompanhou o ato.
A manifestação foi iniciada às 23h30 de anteontem, quando cerca de 300 pessoas, entre professores da rede estadual, estudantes e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), iniciaram uma vigília na BR-277, a cerca de um quilômetro da Ponte da Amizade. Apesar do frio, eles passaram a noite sob um viaduto.
Ontem pela manhã, o movimento foi engrossado por outros 2.700 manifestantes de 15 sindicatos da região ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), políticos do PT e representantes de movimentos populares, como sem-teto e sem-terra. Às 8h20, o grupo, que já somava cerca de 3 mil pessoas, iniciou uma marcha em direção à Ponte da Amizade.
A Polícia Rodoviária desviou o trânsito para ruas marginais à BR-277. Os manifestantes chegaram à ponte às 8h50. A partir desse momento, o tráfego de veículos e pedestres foi interrompido. Nos dois lados da fronteira começaram a se formar congestionamentos. Motoristas de ônibus urbanos que cruzavam a ponte, vindos de Ciudad del Este em direção a Foz do Iguaçu, abriram as portas dos veículos para que os passageiros tentassem atravessar a pé.
Depois de ficar meia hora presa no bloqueio, a sacoleira Isabel Vilalba Oliveira, de Caldas Novas (GO), reclamou da manifestação.
O protesto prejudicou também moradores de Foz do Iguaçu que trabalham em Ciudad del Este. Ana Maria Acunha, funcionária do Banco Paraguaio Oriental, chegou meia hora atrasada ao trabalho. Para atravessar o bloqueio, ela pediu ajuda aos policiais rodoviários. A ponte só foi liberada às 9h25. Do lado brasileiro, formou-se um congestionamento de um quilômetro.
A maior participação no ato foi de professores, cerca de 600. A categoria realizava assembléia estadual em Foz do Iguaçu. Segundo o secretário-geral da APP-Sindicato, Sérgio Ubiratan, os professores protestaram contra a política do governador Jaime Lerner (PDT) para a educação. Eles reivindicam reajuste salarial imediato de 24,3%, mais seis parcelas de 6,07%, além do pagamento da hora-atividade (tempo gasto na preparação de aulas e correção de provas).
Os demais manifestantes protestavam contra o governo federal. Criticaram principalmente a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, as reformas administrativa e da Previdência, o desemprego e o valor do salário mínimo.

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