Manifestação de servidores irrita governador
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Uma manifestação discreta de servidores públicos ligados ao Sindicato dos Funcionários em Saúde Pública do Paraná (SindiSaúde) irritou ontem o governador Roberto Requião (PMDB), durante a inauguração das novas instalações do Centro Psiquiátrico Metropolitano (CPM). Os servidores levaram faixas de protesto salarial dizendo que o governo tinha que respeitar a data-base do funcionalismo público. Durante a solenidade, no discurso, Requião criticou os servidores da Saúde, alegando que concedeu um abono salarial para a categoria no início de 2005.
''Mesmo com essas faixas, não vou revogar o abono salarial de R$ 700 que chegou a dobrar o salário dos servidores públicos de saúde. Talvez o que o funcionalismo queria é que eu desse um aumento igual ao do Lula: de 0,1% para todos os servidores'', alegou o governador. Requião complementou dizendo que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não permite que ocorram avanços salariais significativos durante as atuais administrações, que precisam cuidar das finanças para evitar abusos. ''O funcionalismo público precisa entender que não tem data-base. Aliás, os servidores têm garantia de estabilidade'', ironizou.
Requião disse ainda, durante o discurso, que não será cobrando em solenidades públicas que os servidores irão conseguir reajustes. ''Não é cobrando o que não existe que esses funcionários vão me tirar do meu caminho de valorização pública'', complementou ele.
A coordenadora do SindiSaúde, Roseli Aparecida Martins, disse que os servidores não podem viver de abonos que são positivos, mas não suprem as necessidades trabalhistas. Ela lembrou que os aposentados não recebem o abono. Além disso, quando deu o abono de saúde, Requião teria retirado outras duas gratificações: insalubridade e periculosidade.
''O que queremos apenas é ter um salário digno. Somente neste governo, as perdas já somam 20%. Queremos conversar, queremos negociação. Mas só conseguimos chamar a atenção em solenidades públicas'', disse ela. Atualmente, cerca de 8 mil funcionários da saúde estão na ativa.
Segundo Roseli Aparecida, o salário inicial da categoria é de R$ 228, que chega a R$ 400 com as suplementações feitas pelo Estado. No governo Jaime Lerner (PSB) não houve reajuste, mas também foi dado um abono salarial que atingiu os servidores inativos. ''Não ganhamos nada neste atual governo. Ganhamos o abono e perdemos gratificações.'' A categoria tenta marcar desde o dia 1º de junho uma conversa com representantes do governo para discutir reajuste.


