A mobilização de professores e funcionários de escolas públicas estaduais por melhorias salariais deixou perto de 1,2 milhão de alunos sem aulas, ontem, em todo o Paraná, segundo estimativa do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato). Já pelo levantamento da Secretaria de Estado da Educação, 33,5% das escolas fecharam ontem, 48% teriam tido aulas normalmente e em 18,5% as atividades foram parciais.
Os manifestantes saíram em passeata pelas ruas centrais de Curitiba, reivindicando reajuste salarial, melhoria das condições de trabalho e contratação de profissionais concursados. Cerca de 2 mil pessoas, segundo levantamento da Polícia Militar, reuniram-se na Praça Santos Andrade, no Centro, de onde caminharam até o Palácio das Araucárias, no Centro Cívico, para um encontro com membros do governo. Diversas ruas e avenidas ficaram fechadas e o trânsito foi orientado por agentes da Diretoria de Trânsito (Diretran). Manifestações semelhantes foram organizadas em outros municípios do Estado.
No final da manhã, representantes da categoria se reuniram com a secretária de Estado de Administração e da Previdência, Maria Marta Lunardon, o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, o diretor-geral da Secretaria da Educação, Ricardo Bezerra, a diretora-geral da Secretaria da Administração e da Previdência, Regina Gubert, e o coordenador do Departamento Intersindical de Estáticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro.
Como resultado do encontro, Maria Marta, comprometeu-se a, na segunda-feira, encaminhar à Assembleia Legislativa o das quais fazem parte os professores e demais funcionários das escolas. "A decisão foi tomada nesta semana pelo governador Requião, que assumiu essa causa, a de (neste momento de crise) investir nos salários dos trabalhadores. Será o terceiro ano consecutivo que concedemos reajuste geral ao funcionalismo", disse a secretária à Agência Estadual de Notícias. "Deste compromisso (com a educação pública) faz parte a decisão de destinar 30% do orçamento a investimentos em educação pública", acrescentou.
De acordo com a presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes, cerca de 90% dos professores e funcionários de escolas estaduais pararam as atividades ontem. Segundo o sindicato, o Paraná tem mais de 90 mil profissionais de educação - 20 mil deles em Curitiba e região metropolitana. Hoje, o Paraná tem 2.148 escolas estaduais e mais de 1,4 milhão alunos matriculados.
O Colégio Estadual Julia Wanderley foi um dos que aderiram ao movimento. Um aluno que estava na porta do colégio disse que os professores haviam informado durante a semana sobre a paralisação. "Acho que os alunos ficaram prejudicados. Já tivemos muitos feriados este mês", disse Ewerton Saporski, de 15 anos.
A passeata organizada em Curitiba fez parte de mobilização nacional coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). A reivindicação dos professores é que seja colocada em vigor a Lei 11.738, que institui o piso salarial nacional. Já no Paraná, outros pontos foram colocados na discussão. De acordo com Marlei Fernandes, os profissionais paranaenses cobram que os salários dos professores sejam equiparados com o dos outros servidores estaduais de nível superior. Segundo ela, o valor é 25,97% menor.
Também estava na pauta de reivindicações o cargo de 40 horas, auxílio transporte para todos os funcionários, posse dos funcionários concursados e a melhoria das condições de trabalho e saúde dos educadores e a instituição de um plano estadual de educação.
A manifestação dos professores estaduais contou ainda com o apoio do Sindicato dos Servidores Municipais do Magistério de Curitiba (Sismmac) e do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc). Ambos participaram da greve de servidores municipais na semana passada, mas as escolas e servidores municipais não aderiram à paralisação.

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