Manifestação contra a violência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O velório do comerciante Luis Carlos Gonçalves, 31, morto a tiros por assaltantes dentro da própria sorveteria, na tarde de anteontem, no Jardim Castelo (Zona Leste de Londrina), transformou-se em uma manifestação espontânea contra a violência que assola o bairro. Representantes das polícias Civil e Militar prometem ações conjuntas para prevenir a violência.
Cansados dos assaltos recorrentes e da constante sensação de insegurança, comerciantes fecharam os estabelecimentos e uniram-se aos moradores que, de mãos dadas, ocuparam o cruzamento da rua Ceará com a Avenida Simon Bolivar, onde fica a sorveteria, para pedir mais policiamento na região.
Munidos com cartazes e entoando frases de protesto contra a violência, eles seguiram em passeata até o salão da Igreja Nossa Senhora de Fátima, onde o corpo de Gonçalves era velado. Num protesto silencioso, rodearam o caixão da vítima e mais uma vez empunharam os cartazes pedindo providências para evitar novos crimes.
Comerciantes e moradores ouvidos pela reportagem afirmaram que a grande parte dos assaltantes é formado por usuários de droga menores de idade. Assaltos a pedestres também seriam comuns nos bairros próximos. ''A gente nunca vê a polícia passar. Só vimos policiais quando o Luis Carlos já estava estendido no chão'', protestou Dora Alves Marques Gonçalves, cunhada da vítima.
''Sinto a insegurança na pele a cada minuto trabalhado'', desabafou o comerciante João Batista Moraes, que parou de contar as vezes em que foi assaltado quando foi vítima do 20º roubo, há dois anos. Cansado, ele confessou que nem sempre chama a polícia. ''Não vale a pena, é só mais um transtorno. A gente dá graças a Deus quando os ladrões roubam na gôndola e vão embora, sem ameaçar com armas.''
Vítima de cinco assaltos apenas no último ano, José Pedro, dono de um mercadinho, recorda que na última ocorrência o ladrão roubou a moto de um cliente sob ameaça de um revólver. ''Trabalho com o coração na boca. Sempre que entra uma pessoa diferente, já penso que será assalto.''
Ainda de luto pela morte do filho de 34 anos, assassinado há poucos meses na Avenida Dez de Dezembro, uma dona de casa que não quis se identificar vive com medo do tráfico de drogas que toma conta do bairro onde mora. ''De noite, ouço pessoas pedindo socorro porque foram assaltadas. Aqui a gente nunca tem sossego.''


