Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Associação das Famílias de Trabalhadores Rurais de Pinhão (AFATRUP), sindicatos, pastorais e entidades, participaram ontem, no calçadão da rua XV de Novembro, em Guarapuava, de uma manifestação em favor dos herdeiros de ex-escravos da Fazenda ‘‘Fundão’’ ou ‘‘Paiol da Telha’’, em Pinhão (40 quilômetros ao sul de Guarapuava). Durante todo dia foram entregues panfletos com a história da luta dos descendentes de escravos. Os participantes do movimento vestiam túnicas pretas e passaram o dia em jejum.
A manifestação foi para conscientizar a população sobre a causa das cerca de 150 pessoas que reivindicam 3,6 mil alqueires de terras deixados pela fazendeira Balbina Franscisca de Siqueira, em 1886, para 13 escravos libertos. Hoje, as terras pertencem à Cooperativa Agrária Mista Entre Rios. Os manifestantes também alertaram a população sobre a lentidão com que a reforma agrária vem sendo tratada na região.
Segundo o coordenador da CPT, Dionísio Vandresen, a comissão de apoio aos descendentes decidiu realizar a manifestação em solidariedade as famílias. ‘‘Queremos chamar a atenção da população. As pessoas precisam saber da causa dessas famílias que há quase 100 anos lutam por suas terras’’, disse.
Vandresen adiantou que a manifestação foi uma preparação para um grande ato nacional que está marcado para o dia 22 em Guarapuava. ‘‘Esperamos que mais de 5 mil pessoas do País inteiro participem desse ato. Várias personalidades de renome nacional e internacional estão sendo esperadas’’, disse.
Durante todo o dia, os manifestantes pediram alimentos que serão doados às famílias de descendentes. Em Guarapuava, as doações podem ser entregues na sede da CUT, e em Curitiba as doações devem ser entregues na Associação dos Professores do Paraná - Sindicato.
Segundo a Comissão de Apoio, o Incra se comprometeu em vistoriar parte das terras da fazenda nas próximas semanas.

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