Manias e limites são temas de palestras
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Birrenta e mandona hoje, transgressora e com dificuldade de desenvolver relacionamentos afetivos amanhã. Apesar do tom profético, a sentença aplicada à educação das crianças é apoiada na psicologia e tem sido cada vez mais comprovada na prática nas consultas prestadas a pais e filhos. Quem conta é a psicóloga Jaíde Regra, professora das universidades de São Paulo (USP) e Mackenzie, que abriu ontem a série de palestras para a comunidade, no Shopping Catuaí, em Londrina.
O evento integra a programação do XII Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Terapia Familiar, que termina amanhã e estima reunir na cidade cerca de 1,2 mil estudantes e profissionais da área.
Com o tema ''Filhos: dos hábitos de estudo aos relacionamentos pessoais'', Jaíde explica que a origem de muitos conflitos enfrentados por adolescentes na relação com a sociedade e com a família têm origem na forma como os pais lidaram com ele, na infância, ao não estabelecer limites. '' Afeto, carinho e bens materiais precisam e devem ser dados, mas na hora certa'', diz.
E quando seria o momento ideal? ''Quando a criança age e pede de forma adequada. Porque se algo é dado quando ela faz birra, por exemplo, verá nisso uma forma de comunicação e na escola também se achará no direito de não obedecer aos professores, ou, autoritária, dificilmente fará amigos. Dessa forma, mesmo que seja brilhante, ela não será capaz de aprender'', explica a psicóloga, para quem os resultados a médio e longo prazos a esse tipo de criação podem ser catastróficos: ''Fará sempre o contrário do que lhe pedirem, a ponto de não saber o que ela própria quer. Como consequência, essa criança pode se tornar o adolescente transgressor de regras de amanhã, propenso a integrar grupos de vício'', alerta.
De acordo com Jaíde, uma solução preventiva a esse tipo de comportamento seria impor consequências para os limites não respeitados e, principalmente, levar os filhos a desenvolver auto-regras.
Outra palestra do dia abordou um assunto que, segundo seu apresentador, o psicólogo Denis Roberto Zamignani, também de São Paulo, afeta de 1% a 3% da população mundial: o transtorno obssessivo-compulsivo (TOC), distúrbio que, na Idade Média, era considerado possessão demoníaca e custava a fogueira da Inquisição a seus portadores.
Somente no século 20, as conhecidas ''manias'' passaram a ser tratadas como um sintoma independente da depressão. ''Geralmente na origem dessas manias há um medo que gera pensamentos desagradáveis. Para se livrar deles, o indivíduo cria as compulsões, que o aliviam'', afirma Zamignanani.
As mais comuns, ele aponta, são aquelas relacionadas a limpeza, dúvida, contagem e repetição. Zamignani relata que não existe cura, mas controle das causas por meio de medicação e terapia. ''Tem que cuidar, senão a TOC acaba afetando tanto o trabalho quanto os estudos, já que toma tempo útil'', advertiu.


