Maníaco já atacou oito mulheres em escritórios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Cristine Pieske 
A Delegacia da Mulher deverá divulgar amanhã o retrato falado do maníaco sexual que já estuprou sete mulheres em Curitiba somente nos últimos dois meses. O homem, descrito pelas vítimas como um rapaz moreno claro, de cabelos curtos, olhos castanhos, estatura mediana e bem vestido, vem atacando secretárias, advogadas e engenheiras nos seus escritórios. A tática é sempre a mesma: ele marca entrevistas e consultas em horários de pouco movimento, quase sempre no início da noite, e faz a vítima acreditar que ele está interessado em resolver determinado problema. Depois de conversar por alguns minutos, ele espanca as mulheres, faz ameaças e as estupra. Em dois casos específicos, o maníaco disse que voltaria para matar as vítimas caso elas fizessem alguma denúncia.
As investigações vinham sendo mantidas em sigilo pela Delegacia da Mulher desde o mês de dezembro, quando o primeiro ataque foi denunciado. Há cerca de um mês, no entanto, não houve mais notícias da atuação do maníaco. Pode ser que ele continue atacando e que nenhuma mulher tenha vindo até a delegacia para dar queixa, diz a delegada titular Darli Rafael. Segundo a delegada, as ameaças de morte feitas pelo homem depois de praticar o estupro devem estar inibindo as denúncias.
Algumas mulheres, com medo de um novo ataque do estuprador, já mudaram seu endereço comercial na tentativa de fugir do bandido. Pelas informações recebidas até o momento pela polícia, o homem não usa armas e somente chegou a ameaçar uma das vítimas com canivete em uma das suas investidas. Apesar de não estar armado, a polícia recomenda que as vítimas tenham cautela ao tentar reagir ao estupro.
A maior dificuldade da polícia tem sido fazer o retrato falado do maníaco sexual. Das sete vítimas que procuraram a delegacia, cinco fizeram descrições conflitantes do homem. A polícia descarta, no entanto, a possibilidade de os atques estarem sendo cometidos por pessoas diferentes. Os procedimentos adotados pelo estuprador são sempre os mesmos, principalmente na maneira de se apresentar e de conversar com as vítimas, diz a delegada Darli.
Para evitar que as investigações fiquem dispersas, a polícia pretende reunir hoje as sete mulheres para elaborar um único retrato. Segundo a delegada, o maníaco sexual que vem atuando em Curitiba parece ter um tipo físico muito comum, o que tem dificultado as investigações.


