Uma mania que vai e volta, como o próprio movimento da brincadeira que anda fazendo a cabeça de crianças e adolescentes. Febre nas escolas, condomínios ou em qualquer vizinhança, o ioiô é diversão garantida para quem se arrisca a tentar as complicadas manobras, que recebem nomes diferentes como estrela, 'torre eiffel', volta ao mundo, nave espacial, balanço e cachorrinho, entre outros exemplos.
Num conjunto de prédios no Centro da cidade, os amigos Vítor Jacomini Machado, 7, João Pedro Santos Pigatto, 9, Rafael Kaleb Silva Sampaio, 10, Lucas Gonçalves, 9, e os irmãos Gabriel e Rafael Macinello da Silva, de 7 e 9 anos, se reúnem diariamente para jogar.
As manobras são copiadas dos jogadores profissionais que se apresentam em campeonatos, escolas e programas de televisão. ''Tem que treinar muito'', contam os meninos, que treinam também em casa para depois ensinarem os truques aos amigos. ''Um aprende com o outro'', dizem.
Estreantes na brincadeira, eles revelam que a marca do ioiô não é tão importante quando a qualidade do cordão. ''A gente sempre troca as 'cordinhas'.'' Os ioiôs também divertiram gerações de pais das crianças, que acabam disputando o brinquedo com os filhos. ''Meu pai joga, mas não é muito bom. Ele só sabe fazer o movimento para cima e para baixo'', afirma Gabriel.
No Colégio Estadual José de Anchieta, os ioiôs também fazem sucesso na hora do intervalo. Os alunos treinam e até participam de campeonatos promovidos em shoppings e supermercados de Londrina. Lucas Ferreira de Oliveira, 13, é um dos mais habilidosos e até já se classificou em terceiro lugar numa competição. ''Eu treino ioiô o dia inteiro, estou sempre brincando'', revelou.
Sob olhares de admiração, ele exibe as manobras complicadas, mas recusa-se a ensinar os colegas. ''Quero ser o único a ter a fama'', orgulha-se. Lucas Johnson e Marlon José Wachiski, ambos de 13 anos, também treinam com o brinquedo e se preparam para participar do primeiro campeonato. ''Estou aprendendo as manobras no manual que vem junto com o brinquedo'', contou Marlon, que respeita a proibição de brincar na sala de aula. ''Só tiro o ioiô da bolsa na troca de aulas.''
Mais comum entre os garotos, o brinquedo também atrai adeptas do sexo feminino. Isabele Akemi Yokoyama, 13, comprou o ioiô há alguns dias e já desenvolveu habilidade para várias manobras. ''Faço dorminhoco, cachorrinho, catarata e balanço'', revela.
Adriele Alves da Silva, 12, também joga ioiô em casa e no intervalo da escola, mas não tem intenção de participar de campeonatos. ''Brinco porque é divertido.''
A diretora do Colégio José de Anchieta, Jacinta Leite Cavalcante, recorda que a mania do ioiô aconteceu na escola há uns dois anos e voltou com força total desde o início do atual ano letivo. ''Ano passado eram as figurinhas do Naruto, Ben 10 e as cartas do Pokemon'', explica.
Ela considera que os ioiôs são brinquedos saudáveis, que estimulam a coordenação motora e a concentração. ''Podem até ser usados em projetos pedagógicos'', defende a diretora, lembrando que, na escola, a única regra é não usá-los em sala de aula.

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