Mangueirinha pode explorar o ecoturismo
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Um projeto voltado ao ecoturismo poderá ser aplicado na Reserva de Mangueirinha, em Mangueirinha (76 km ao norte de Pato Branco), que tem 17.308 hectares e onde estão cerca de 1.440 índios caingangue e guarani. A reserva já teve problemas relacionados a ocupações por agricultores vizinhos e derrubada ilegal de madeira, mas já estariam superados, segundo Sebastião Chaves, do Departamento de Indústria, Comércio e Turismo da prefeitura, que desenvolve o projeto de ecoturismo.
Também estão envolvidos os municípios de Chopinzinho e Coronel Vivida, que têm áreas da reserva. Os próprios índios e a Funai respaldam a proposta, que será apresentada em dezembro no Rio de Janeiro, no World Ecotur, seminário internacional de ecoturismo. Há um grande potencial para ser explorado. O Rio Lajeado Grande e outros menores formam várias cachoeiras, em volta das quais podem ser implantados recantos de lazer.
No local está a maior reserva de araucária do mundo. A espécie, símbolo oficial do Paraná, espalha-se pela área. Todo o potencial está mapeado e, segundo Sebastião Chaves, o projeto deve contemplar a preservação, e até estimulá-la. Os índios, que têm como cacique Jovenal da Silva, já chegaram a ser acusados de arrendar terras para colonos e receber para permitir a retirada de madeira da reserva. Hoje, porém, eles próprios mantêm vigilância na área em guaritas.
A reserva de Mangueirinha está a 15 quilômetros da cidade e é alcançada por rodovia estadual pavimentada. Há escolas (com aulas em guarani e português), posto de saúde. Líderes da Pastoral da Criança atuam na comunidade. Os caingangue e guarani plantam milho, feijão, arroz e mandioca, basicamente para o consumo, e produzem e vendem artesanato, e, na safra, o pinhão, mas a renda que obtêm é insignificante.


