Manejos para reduzir custo do leite
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Livia de Oliveira Especial para Folha Rural 
Aproveitar as características climáticas do Brasil para aumentar a produção de leite a pasto. Esta é a proposta que a Emater deve apresentar no 5º Encontro de Produtores de Leite, que será realizado no dia 5 de abril no Recinto José Garcia Molina do Parque Ney Braga. O evento tem o apoio da Sociedade Rural do Paraná, Cativa, Confepar e criadores do gado girolando.
A palestra é dirigida a produtores da Região Norte do Estado e contará com a presença do professor Odilon Idototo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), falando sobre o controle de pragas - como o carrapato. Técnicos da Emater vão falar sobre o controle estratégico de pastagens e de doenças que têm impacto direto na produção de leite. Queremos mostrar, com exemplos, os resultados positivos que conseguimos com modelos alternativos de atividades no campo, explica o veterinário, Paulo Hiroki, coordenador regional da Emater responsável pela bovinocultura de leite.
VitóriaEstes exemplos serão baseados nos dois anos de experiência com o Projeto Vitória, realizado pela Emater em parceria com as Universidades Estaduais de Londrina e Maringá. A iniciativa busca o barateamento do litro de leite através da diminuição dos custos de fornecimento de alimentos para gado confinado e do combate de doenças de reprodução e produção.
Segundo Hiroki, o Brasil tem excelente qualificação técnica, mas precisa explorar mais suas características naturais. Nosso clima tropical permite que tenhamos boas pastagens o ano inteiro. Temos que aproveitar isso, pois o confinamento é caro para o produtor, conclui. Uma pesquisa realizada pela Emater mostra que já houve uma queda no custo de produção do leite de R$ 0,32 para R$ 0,22, por litro, nas propriedades beneficiadas pelo projeto. Hiroki acredita que dentro de um ano este valor pode chegar aos R$ 0,16.
O Projeto Vitória atende a doze municípios do norte do Paraná onde a pecuária de leite fica atrás apenas da avicultura e da cana-de-açúcar em importância econômica: Astorga, Centenário do Sul, Colorado, Flórida, Guaraci, Jaguapitã, Lobato, Londrina, Lupionópolis, Munhoz de Melo, Santa Fé e Santo Inácio.
AcompanhamentoEstima-se que o número de produtores de leite nessa região chegue a 1500. Aproximadamente 127 deles recebem acompanhamento técnico do projeto nas áreas de gestão e administração rural, sanidade, nutrição, agronomia e zootecnia. O objetivo é atingir todas as fazendas. Começamos com apenas algumas mas esperamos que aos poucos os vizinhos percebam o que está sendo trabalhado perto deles e passem a se beneficiar também, diz Hiroki.
O procedimento do Vitória começa com um levantamento completo nas propriedades participantes. Depois são estudadas medidas de melhorias e planos de ação, como vacinação, mudança na alimentação dos animais e estratégias de reprodução do rebanho. Este trabalho é realizado gratuitamente. O produtor paga apenas os custos de exames laboratoriais e medicamentos, quando necessário.
Hiroki lembra que, no início do Projeto Vitória, em 1998, apenas 68% dos rebanhos analisados estavam em condições de produzir leite. Com um ano de assistência técnica, essa taxa subiu para 75%, afirma.
Durante o 5º Encontro de Produtores de Leite, serão exibidos alguns dos modelos alternativos implantados pelo projeto para aumento desta produção, como novos manejos de pastagens de qualidade com menor custo e procedimentos para controle de doenças.


