Mandelli presta depoimento e nega responsabilidade
Lúcio Horta
De Londrina
O secretário de Governo licenciado, Wilson Mandelli (PFL), negou ontem em depoimento aos promotores Bruno Galatti, da Defesa do Patrimônio Público, e Cláudio Esteves. da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), qualquer responsabilidade nas supostas irregularidades em processos licitatórios da Prefeitura de Londrina, reforçando posição que manifestara na véspera à imprensa. Os promotores investigam indícios de irregularidades em mais de 80 contratos da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb). Mandelli disse que todas as decisões tomadas pelo governo municipal, referentes à contratação de serviços, são submetidas à apreciação do chefe do Poder Executivo.
As explicações de Wilson Mandelli que foi ouvido na condição de acusado estavam sendo aguardadas com muita expectativa, sobretudo depois das acusações do diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, anteontem. Alonso disse que o ex-secretário era o responsável junto com Gino Azzolini Neto, ex-secretário de Governo, e Kakunen Kyosen, diretor-presidente da Comurb pelos contratos supostamente irregulares investigados pela Promotoria. Além disso, declarou que estima em R$ 30 milhões o valor total dos contratos que possam ter irregularidades.
Mandelli alegou, durante o depoimento, que a única função da secretaria de Governo, no caso dos contratos solicitados pelas órgãos públicos do município e com dinheiro do Fundo Municipal de Urbanização, era verificar se os documentos cumpriam as exigências legais e também se havia dotação orçamentária para o projeto a ser contratado. Após isso, informou, o secretário comunicaria a Secretaria da Fazenda sobre a utilização dos recursos do fundo. Isso é uma tramitação normal.
O secretário licenciado informou também que as discussões sobre a necessidade dos projetos contratados eram realizadas dentro de cada órgão de governo, como AMA e Comurb, e não passavam pela Secretaria de Governo. Além disso, acrescentou que a própria Comurb é a gerenciadora do Fundo de Urbanização e, por isso, não havia razão para supor qualquer irregularidade nos contratos.
Questionado pelos promotores de quem era a decisão política para a contratação de serviços, ele disse que a decisão de executar ou não uma obra na cidade, qualquer tipo de obra, é do governo municipal, e o governo municipal é o contexto geral, é o todo. Mandelli ressaltou que a secretaria de governo é meramente burocrática. Não cabe a ela discutir.
Wilson Mandelli observou ainda que não cabia à secretaria de Governo fiscalizar se os contratos, depois de autorizados, seguiam uma tramitação regular ou não. E negou que tivesse feito qualquer indicação de empresas para participar de licitação na modalidade carta-convite, contrariando afirmações de Eduardo Alonso no dia anterior. Eu jamais indiquei qualquer empresa. Isso é um absurdo.
Questionado sobre contratos da AMA com a Vega-Sopave no valor de R$ 10 milhões, também citados no depoimento de Alonso, informou: De nossa parte, não houve autorização para pagamentos de verbas. Isso é feito pela AMA ou pela Secretaria de Fazenda, em caso de atraso. Wilson Mandelli também não quis comentar as acusações de Eduardo Alonso de que haveria perseguição política dos membros do PFL que fazem parte da administração municipal contra os membros do PPB de Alonso, Mauro Maggi e Júlio Bittencourt, os dois últimos ex-diretores da AMA. Isso não tem cabimento.





