Mandelli evita dar entrevista
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O escritório do empresário Paulo Pacheco Mandelli, que atua no setor de venda de peças usadas em Curitiba há cerca de 15 anos, esteve aberto durante todo o dia de ontem. Funcionários faziam a limpeza do local. Mas a imprensa foi impedida de entrar ou conversar com Mandelli. Os telefones ficaram desligados.
É um ramo empresarial lícito. A mercadoria tem destino e é revendida com o acompanhamento de seguradoras e do Detran, comentou Osman Arruda, advogado de Mandelli, dizendo que chegou o empresário poderá deixar o ramo de auto-peças por causa dos dissabores com as investigações. Ele poderá deixar este ramo de negócio. Não vejo que ele tenha interesse em prosseguir, complementou.
O escritório foi reaberto depois de ter ficado sob custódia da Polícia Militar por quase seis meses. O empresário está sendo investigado pela suposta comercialização de peças de carros roubados. Ele é conhecido como o rei do desmanche no Paraná, ao lado de Joarez França Costa, o Caboclinho. A reabertura do escritório, que fica no bairro do Prado Velho, em frente a duas lojas ainda fechadas, foi determinada pela Justiça. O juiz da Central de Inquéritos entendeu que o escritório e os carros que estavam dentro dele eram de propriedade particular de Paulo Mandelli e tinham que ser devolvidos, explicou o advogado Osman Arruda.
Entre os carros que foram devolvidos para Mandelli estão seis veículos importados, quatro caminhões, duas kombis e um carro nacional. A Justiça jamais concede privilégios, ela reconhece direitos. E era direito dele ter o que é de sua propriedade, argumentou o advogado.
Mesmo diante da concessão judicial, o Ministério Público não vai amolecer nas investigações. De acordo com o procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), a primeira etapa de busca de provas já está em fase final. Não esquecemos o caso Mandelli. Estamos atuando com rigor, garantiu ele.
No entanto, os peritos do Instituto de Criminalística sugerem que muitas peças tenham procedência irregular. Recentemente, eles montaram 13 veículos com peças apreendidas em desmanches de Curitiba. Quinze carros que teriam sido roubados foram identificados.


