Mancha escura cobre lagos em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Londrina, vai monitorar durante todo o final de semana a extensão da poluição do Córrego Cacique, afluente do Ribeirão Cambezinho, que já atingiu os lagos Igapó III e IV. Hoje, às 9 horas, técnicos do IAP vão recolher amostras da água dos lagos para avaliar o nível do oxigênio. Ontem à tarde, a Folha sobrevoou os lagos Igapó III e IV e constatou uma grande mancha negra cobrindo toda a água. O diretor regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, declarou que já calculava o prolongamento do desastre. Pinheiro Neto disse que teme uma grande mortandade de peixes nos lagos.
O IAP identificou a Companhia Cacique de Café Solúvel como a causadora do desastre ambiental e multou a empresa em R$ 600 mil, por três dias de lançamento de esgoto industrial no córrego. A direção da empresa alegou que o desastre ambiental foi causado pela chuva do último final de semana. Segundo Sérgio Sardenberg, os decantadores transbordaram e levaram o esgoto bruto para o córrego. Sardenberg informou que a empresa vai recorrer da multa, já que, infelizmente, o desastre foi causado por um dilúvio. Ainda de acordo com Sardenberg, a Cacique tem 40 anos e está prestes a conseguir o certificado ISO 14000, referente à qualidade ambiental.
Anteontem a Polícia Florestal de Londrina prendeu em flagrante o diretor financeiro da Igapó Veículos, Sílvio Tanaferri Filho, 68 anos, e o encarregado do setor de oficina, Ângelo da Costa Guimarães. Os funcionários foram responsabilizados pelo despejo de óleo de lavagem de motor de automóvel em outro ponto do córrego Cacique. Eles foram liberados cerca de seis horas depois da prisão, por ordem do juiz da 1ª Vara Cível João Cleve Machado.
O advogado da Igapó Fernando Mesquita declarou que vai processar o Estado por danos morais. Segundo Mesquita, medidas judiciais serão tomadas pela arbritariedade da prisão. Ele comentou que no afã de prender, não se levou em consideração que os funcionários não podem ser responsabilizados pela empresa. O advogado explicou ainda que a Igapó nunca foi notificada por estar infringindo leis ambientais. Mesquita afirmou que contratou um técnico para analisar a água do córrego.
O sargento da Polícia Florestal Amilton Barbosa Bueno, que efetuou a prisão dos empregados da Igapó, disse que, após a equipe ter rastreado uma mancha de óleo por 800 metros, chegou à empresa. Foi constatado o flagrante porque vimos os carros sendo lavados e os resíduos de óleo escorrendo, garantiu o sargento. Segundo o sargento Bueno, a empresa foi notificada e o lavatório de veículos foi interditado até que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) emita laudo requisitado pela Polícia Florestal.
Rafael Fuentes, diretor-presidente da Autarquia Municipal de Ambiente (AMA) negou que o órgão tenha multado a Igapó. Segundo Fuentes, foi efetuada a autuação, baseada no Código de Posturas do Município. Pela lei ambiental temos que esperar o resultado da perícia para estipular o valor da multa, assegurou o diretor da AMA. A promotora do Meio Ambiente Luciana Lepri Moreira não foi encontrada para falar sobre a participação da Igapó na poluição do Córrego Cacique.


