O óleo que vazou, na última quinta-feira, da empresa Terpa Sul Construtora de Obras, no bairro Boqueirão, em Curitiba, percorreu doze quilômetros do Rio Iguaçu. Uma equipe de 70 pessoas está trabalhando na contenção das machas e na limpeza do rio.
Como o produto derramado é mais denso que o petróleo, acabou sendo quase que totalmente retido nas margens do rio, chegando em pouca quantidade às barreiras de contenção. Por esse motivo, a Defesa Civil informou que as manchas não devem ultrapassar os doze quilômetros.
‘‘O trabalho de retirada do óleo é artesanal. A quantidade derramada é pequena para que a limpeza seja feita por meio de aparelhos de sucção’’, explicou o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andreguetto. O IAP calcula que tenha vazado no rio cerca de 5 mil litros de CM-5 – substância derivada do petróleo, usada em asfaltamento.
Até a tarde de ontem, técnicos do IAP não haviam encontrado nenhum animal contaminado com o CM-5. ‘‘Isso não quer dizer que está descartada a possibilidade do acidente trazer prejuízo à fauna e à flora da região’’, disse o coronel Luis Antônio Borges Vieira, da Defesa Civil.
Os danos ecológicos possíveis de serem causados pela substância ainda estão sendo avaliados pelo Instituto Ambiental. ‘‘Nós estamos recolhendo diversas amostras do óleo para análises. Também vamos fazer um monitoramento contínuo na região’’, disse Andreguetto. Com base nos próximos laudos, o IAP poderá aplicar novas multas à empresa responsável pelo acidente. A pena inicial é de R$ 1 milhão. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente também deve penalizar a Terpa Sul, mas ainda não definiu o valor da multa.
O presidente da empresa, João Hiroshi Watanabe, disse em entrevista à Folha, anteontem, que o vazamento pode ter sido provocado por sabotadores. ‘‘Acho pouco provável. Pode ter sido um ato de vandalismo de alguém que não tinha consequência do risco’’, disse o coronel Vieira.
De acordo com Vieira, o acidente poderia ter sido evitado com algumas medidas básicas de segurança. ‘‘Ainda estamos avaliando as causas, mas o registro não abriu sozinho. Não havia segurança na válvula que aciona o tambor, não havia tanque de contenção. Além disso, o solo do pátio da empresa não estava protegido com concreto, o que ajudaria na contenção do óleo’’, citou.
O coronel disse que essas medidas de prevenção poderão ser fiscalizadas em breve pela Defesa Civil, com o prolongamento do decreto que dá ao órgão a responsabilidade de coordenar o transporte de produtos de risco. Segundo Vieira, o governador Jaime Lerner deve assinar ainda esta semana o novo decreto. ‘‘Então nós teremos a capacidade legal de atuar junto à empresas que trabalham com o armazenamanto de produtos de risco’’, afirmou.

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