Mananciais do PR estão contaminados
Por falta de equipamento, Sanepar consegue monitorar apenas 40% dos princípios ativos de agrotóxicos atualmente utilizados

Arquivo Folha
PerigoAgrotóxicos aplicados nas lavouras deixam resíduos que são levados pela água das chuvas para os rios que abastecem as populaçõesSanepar continua
seguindo portaria de
92, que não inclui
os novos produtos
Vânia Casado
Pelo menos 70% das amostras de água tratada para o abastecimento no Paraná apresentam contaminação de agrotóxicos. Essa constatação faz parte de um estudo realizado em 1984 por quatro técnicos da ex-Superintendência dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Surehma), alertando, na época, para a gravidade da contaminação dos mananciais. Apesar dos alertas, pouca coisa mudou de lá para cá, admitiu a técnica Vânia Regina Saboia Zappia, uma das integrantes da equipe.
O Instituto Ambiental do Paraná alega que faltam equipamentos adequados para analisar todos os resíduos de agrotóxicos que ficam na água. A Sanepar consegue monitorar no máximo 40% dos princípios ativos que estão na praça. A verdade é que desde a década de 80, os princípios ativos dos agrotóxicos mudaram e a Sanepar não tem ainda os equipamentos adequados para controlar a quantidade máxima dos resíduos permitidos na água.
Os agrotóxicos aplicados nas lavouras deixam resíduos que são levados pelas chuvas para os rios e lagos que compõem o manancial para abastecimento das populações. O Ministério da Saúde obriga as empresas estaduais de abastecimento de água a analisar os resíduos de agrotóxicos. O Ministério expediu duas portarias para efeito de análise: a de nº 56, em 1977, e a nº 36, em 1992, contemplando novos principíos ativos que deveriam ser analisados.
Só que muitos produtos agrotóxicos adotados até o início da década de 90 não são mais utilizados e a Sanepar continua analisando. Atualmente já existem mais de 600 marcas comerciais de produtos, e pelo menos 200 princípios ativos novos não são verificados pela Sanepar.
As estações de tratamento não estão preparadas para analisar os metais pesados, organoclorados e organosfosforados, os princípios ativos mais comuns usados no meio agrícola. Para reverter essa situação, a Sanepar está comprando dois equipamentos de análise de água, avaliados em R$ 300 mil cada um, para se adequar às exigências da portaria 36, informou o químico André Luiz Faria, da Unidade de Avaliação de Conformidade do Laboratório Central de Água, da Sanepar. Segundo Faria, nas bacias dos rios Iguaçu e Iraí, na Região Metropolitana de Curitiba, são poucos os resíduos de agrotóxicos. O técnico admite que na bacia do rio Passaúna, a presença de resíduos é maior, em função das áreas de plantio próximas ao manancial.
Faria salienta que quando a Sanepar necessita de análises mais completas, costuma recorrer aos laboratórios da Companhia de Abastecimento de Água de São Paulo (Cetesb) e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

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