Quinze mil mulheres devem morrer este ano no Brasil vítimas de câncer de mama. Enquanto o auto-exame medida fundamental para detectação precoce da doença é alvo de campanhas anuais, o segundo passo, a mamografia, anda a passos lentos. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília revela que 81% das cidades brasileiras não têm aparelho de mamografia. Mesmo onde há tecnologia, falta comprometimento das políticas de saúde para tornar o exame acessível.
Recomendado a todas as mulheres acima de 40 anos e classificado como preventivo, na rede pública o exame é restrito a casos de maior risco. Em Londrina, o limite é de 600 exames por mês. ''Fazermos o exame a todas as pacientes acima de 40 anos é inviável'', explica a médica Marilda Kobatsu, da Diretoria de Ações em Saúde (DAS) de Londrina. Cada exame custa R$ 30.
Ela afirma, entretanto, que a demanda espontânea também é atendida. ''Cada UBS (Unidade Básica de Saúde) tem uma cota mensal de exames e os ginecologistas podem encaminhar, mas a preferência é dada para casos de maior risco'', diz. Segundo ela, nesses casos, o tempo de espera varia de duas semanas a 20 dias.
Quem não está no grupo de risco precisa paciência para fazer o exame. Situação da dona de casa Lúcia Gonçalves Santos, 55 anos. Ela é uma das poucas brasileiras de baixa renda que não abre de mão de fazer o exame anualmente. ''Faço todo ano sempre, mas demora para conseguir, o último demorou seis meses'', afirma.
Há quem não tenha tanta paciência. ''Só fiz uma vez, demora demais, até o preventivo (de câncer de colo de útero) está difícil'', diz Iraci das Dores Dias, 44 anos. A mãe de Iraci, dona Maria Rocha, 65 anos, calcula que já se passaram uns 20 anos desde o último exame. ''Fazer eu tinha que fazer mas cadê jeito?''
Marilda explica que o programa municipal de prevenção de câncer de mama segue as diretrizes do governo do Estado e do SUS. Atualmente o foco do programa está voltado para a melhoria do diagnóstico através da implantação de um software específico que calcula melhor o percentual de risco de cada paciente.
Fatores como menstruação e menopausa precoce, idade avançada, histórico familiar com casos de câncer, filhos tardios ou não amamentação são considerados de risco. O modelo de Gaile já foi implantado em algumas unidades e é fornecido pelo Ministério da Saúde.
Segundo Marilda, outra frente do programa é a conscientização entre as pacientes para a prevenção mais primária, do auto-exame. ''Precisamos que todas as mulheres passem pelo exame físico anualmente com o ginecologista e, mais importante, que elas aprendam a fazer o auto-exame'', finaliza. No ano passado, 166 casos de câncer de mama foram diagnosticados pela rede pública de sáude.

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