Sid Sauer
De Campo Mourão
A Prefeitura de Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão) abre na semana que vem ou, na primeira semana de janeiro, no máximo, uma funerária municipal. Será o primeiro serviço funerário estatizado da região de Campo Mourão. O prefeito Ricardo Radomski (PSDB) disse que resolveu investir no setor para diminuir custos e dar uma nova opção aos moradores. Mamborê tem apenas uma funerária particular.
‘‘Fazemos muitas doações de caixões para famílias carentes e isso tem custado caro para o município’’, ressalta Radomski. ‘‘Comprando direto da fábrica em vez de pagarmos para a funerária, teremos preços melhores.’’ A funerária municipal vai começar vendendo apenas caixões populares, mais baratos, mas a expectativa é que, até fevereiro, ela comercialize urnas para todas as faixas sociais. ‘‘Será um avanço para o município’’, diz Radomski.
Além dos custos, o prefeito conta que também pretende acabar com as reclamações sobre o serviço funerário que existem no município. ‘‘Eles (a funerária) aproveitam a hora do desespero e cobram quanto querem’’, explica. ‘‘Depois, as reclamações chegam na prefeitura.’’ Radomski acusa também a funerária de cobrar ‘‘por fora’’ dos familiares por caixões que são doados pela prefeitura. Em média, a prefeitura faz quatro doações de caixões por mês.
O prefeito também se queixa dos preços praticados pela funerária. ‘‘A margem de lucro é muito grande’’, diz. ‘‘Pesquisamos nas fábricas e descobrimos que eles ganham 200% , 300% e até 500% sobre o preço de fábrica.’’ A funerária municipal vai realizar todo o serviço funerário. O carro fúnebre já está comprado. Apenas um funcionário vai trabalhar no local, o mesmo que hoje responde pela capela mortuária, construída no ano passado.
O dono da única funerária de Mamborê, Daniel Pereira Menezes, nega as acusações feitas pelo prefeito e diz que vem sendo vítima de ‘‘perseguição política’’. ‘‘O prefeito ficou com raiva de mim porque trabalhei para outro candidato a deputado’’, conta. Ele diz que já contratou um advogado para analisar o caso e ver o que pode fazer. ‘‘Não sei como vai ficar a minha situação’’, diz. Menezes mantém a funerária em Mamborê há oito anos.
‘‘O prefeito teve três anos para mexer com isso, mas só foi fazer agora, em ano de eleição’’, ataca o empresário. Ele se acha injustiçado porque vem investindo no município, quando poderia ter ampliado o negócio para outras cidades. ‘‘A cidade é pequena e, geralmente, onde existe funerária da prefeitura não existe o serviço particular’’, afirma.

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