Malhação também exige etiqueta
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terça-feira, 05 de janeiro de 2010
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Malhação não precisa ser sinônimo apenas de corpos lindamente esculpidos e músculos à mostra: a academia é também bom lugar para relaxar e, por que não, fazer amigos. Mas como em todo aglomerado de gente, boas maneiras não podem faltar para tornar o convívio social mais agradável e pacífico.
Ser discreto, respeitar quem não está disposto a conversar, evitar falar alto ao celular, revezar aparelhos quando a academia está cheia, secar o suor que fica no equipamento ao terminar uma série e retirar os pesos para que o próximo usuário possa ajustar a carga como preferir são regras básicas de etiqueta e boa educação no universo fitness.
''Temos um lema que diz que se a pessoa é forte para montar o aparelho, também é forte o suficiente para desmontar'', afirma o educador físico Paulo Alves Pereira, professor da academia Gustavo Borges, em Londrina. Segundo ele, deixar pesos no aparelho e não enxugar o suor ainda são as maiores faltas.
''Ideal é deixar o aparelho do jeito que encontrou. Costumo lembrar que educador físico não é carregador de peso'', completa Pereira. ''As faxineiras fazem a limpeza constante dos colchonetes e os que estão sujos são alocados numa pilha separada, mas ainda há quem coloque colchonete sujo no lugar errado.''
Conversas paralelas durante as aulas também atrapalham. ''Existem casos em que o celular toca no meio da aula e o dono não aparece ou então atende enquanto está fazendo aula. É desagradável e bastante comum'', relembra o educador.
''Tem também aquele que chega meia hora atrasado e atrapalha a dinâmica do exercício, porque o professor é obrigado a ajustar o equipamento para o aluno retardatário'', explica Pereira, para quem os problemas de conduta podem ocorrer desde o estacionamento até na hora da atividade física em si.
Na academia N1 Sports Fitness, em Londrina, a boa educação é incentivada tanto na sala de musculação quanto nas aulas. ''Uns mais fortões, às vezes deixam os pesos nos aparelhos. É uma sacanagem, mas como todo mundo é amigo, ninguém briga'', diz o educador físico Felipe Daudt França, que costuma pedir para o aluno limpar o equipamento com álcool em caso de muito suor.
''No horário de pico, no começo da noite, os mais velhos acabam implicando em revezar aparelhos porque querem terminar logo'', cita França, reforçando que apesar dessas reclamações, o clima na academia é pacífico. ''Nunca vi ninguém discutir ou falar alto ao celular.''
Respeito é bom
O aposentado Claudio Albano Raineri, frequentador da academia há 13 anos, reclama da falta de educação nos estacionamentos. ''O problema é crônico e, quando alguém desrespeita a regra, eu reclamo mesmo.''
Raineri já deixou até bilhete no carro de uma aluna que estacionou irregularmente. ''Fora isso, não tenho problema algum enquanto estou treinando, inclusive deixo o aparelho exatamente como encontrei para o próximo usuário'', garante.
A servidora da Justiça Federal Gisele Andreo sempre frequentou a mesma academia e nunca teve problemas com os companheiros. ''Os cartazes espalhados pela academia ajudam a conscientizar os usuários'', comenta a aluna, que vez ou outra tem que limpar ou mudar a carga para poder usar um aparelho. ''Eu mesma prefiro deixar tudo arrumado para o próximo aluno a fim de evitar problemas.''
O policial militar Fernando Bento Bispo frequenta a academia há quatro meses e nunca foi desrespeitado. ''Em outros locais onde treinei, o maior problema era revezar aparelhos, muita gente estressava'', conta.


