Érika Pelegrino
De Londrina
A hanseníase e a tuberculose, consideradas duas das doenças mais antigas da humanidade, estão ressurgindo no mundo todo. A tuberculose é a que mais assusta, pelas proporções que tem atingido.
A miséria e o advento da Aids são os principais responsáveis pelo reaparecimento desta doença. ‘‘Avanços tecnológicos trouxeram a sensação de que a tuberculose estava controlada, no entanto, os últimos 20 anos demonstraram o contrário’’, afirma a médica do setor de Epidemiologia da 17ª Regional de Saúde em Londrina, Vera Lúcia Marvule.
Segundo ela, devido ao número de casos registrados na década de 80, em 1993 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a tuberculose uma emergência no mundo. Dados da OMS mostram que 8 milhões de casos novos e quase 3 milhões de mortes por tuberculose acontecem todos os anos, caracterizando uma situação epidêmica.
No Paraná, a cada ano são registrados em torno de 2,6 mil casos novos da doença, segundo Vera Marvule. No Brasil o número oficial é de 90 mil casos por ano, mas se estima que seja próximo a 130 mil, colocando o país em sexto lugar em casos da doença. Em Londrina foram registrados 175 em 1991, em 1994 o número de registros de casos subiu para 213 e no ano passado, um levantamento preliminar apontou para 196 pessoas infectadas pela doença.
Entre os grandes problemas que dificultam o controle da doença, segundo a médica da 17ª Regional de Saúde, estão a localização de novos casos para que sejam encaminhados para tratamento; tratamento malconduzido e abandono do mesmo, provocando o aparecimento de bacilos mais resistentes.
Vera Marvule afirma que a tuberculose resistente aumenta o custo do tratamento e a mortalidade. No Brasil todo apenas pouco mais de 70% dos casos tratados estão sendo curados e são registrados mais de 10 mil óbitos por ano. A médica orienta as pessoas para que procurem ajuda médica caso estejam tossindo há mais de quatro semanas.
‘‘O tratamento deve ser iniciado quanto antes para que estes pacientes não continuem contaminando outras pessoas, além disso o tratamento completo deve ser garantido a todos pacientes’’, afirma a médica. O Paraná, segundo ela, tem adotado, como estratégia de tratamento, a descentralização dos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento.
‘‘O serviço de atendimento aos doentes de tuberculose existe em 95% dos municípios, mas muitas pessoas não procuram ou abandonam o tratamento ao sentirem uma melhora no estado de saúde’’, afirma. ‘‘É preciso seguir as orientações médicas e fazer o tratamento básico que dura no mínimo seis meses’’, complementa.
Segundo Vera Marvule, o tratamento quimioterápico, que combina três tipos de medicamentos, permite 100% de cura. ‘‘O problema é a resistência criada nos organismos em que o tratamento foi interrompido’’, afirma. A hanseníase também continua acometendo o homem.
No Brasil, de acordo com Vera Marvule, a doença é endêmica e o País ocupa o segundo lugar no mundo em número absoluto, com 105.520 casos em registro ativo. No Paraná incidência ainda é elevada (veja quadro). Em Londrina no ano passado foram detectados 89 casos.
Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas em qualquer parte do corpo, com diminuição ou ausência de sensibilidade ao calor, ao frio à dor e ao tato; nódulos, dores próximas aos cotovelos, joelhos e tornozelos, queda de cílios e sobrancelhas, são sintomas desta doença que data de 600 a.C.
Vera Marvule alerta para o fato de que, assim como a tuberculose, esta doença exige regularidade no tratamento. Pode ficar incubada de 2 a 7 anos, havendo referências de períodos mais curtos (7 meses) e mais longos (10 anos).
A transmissão da doença ocorre através das vias aéreas superiores.

TUBERCULOSE
- Paraná tem uma média de 2.600 casos por ano
- 27 casos para cada 100 mil habitantes
- Meta do governo é reduzir em 50% a incidência
- Prevenção é feita com a vacina BCG, aplicada em crianças menores de um ano

HANSENÍASE
- Estado teve em 1996 2,05 casos para cada 10 mil habitantes.
- Em 1998: 1,5 casos para 10 mil habitantes.
- Brasil é o segundo País em número de casos no mundo.
- É transmitida por bacilo através da via oral. Mas doença só passa para pessoas que sejam suscetíveis.