Malandros falsificavam carimbos
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Albari RosaDelegado Andrei Cordeiro: reconhecimentos de firma friosA polícia apresentou ontem dois homens acusados de falsidade ideológica. Miguel Alves Calegarin, de 25 anos, e Antônio José Gomes Martins, 38, foram presos na última quinta-feira em Curitiba e encaminhados ao 13º Distrito Policial. Eles foram encontrados na Avenida Kennedy, próximo ao Paraná Clube, onde iriam entregar documentos com falso reconhecimento de firma.
Segundo o delegado adjunto do 13º DP, Andrei Cordeiro, a polícia recebeu uma informação anônima e foi até o local para fazer o flagrante. Os policiais encontraram documentos e um jogo de carimbos no veículo de Miguel (um Quantum), mas não localizaram a pessoa que fez a encomenda dos documentos.
Os dois vendiam falsos reconhecimentos de firma para legalização de procurações e recibos de venda de veículos por R$ 100,00. Em cartórios, o reconhecimento de firma custa R$ 1,50. Miguel Calegarin identificava os documentos com carimbos de autenticação do 6º Tabelionato, que teriam sido fabricados ilegalmente. As pessoas que encomendavam a falsificação provavelmente tinham comprado ou vendido carros de maneira irregular.
Miguel Calegarin já responde por vários inquéritos, acusado de furto e receptação, estelionato e supressão de documento público. Umas das acusações de estelionato é procede de Rio Negrinho (SC). Ele trabalhava com uma carteirinha falsa de despachante do Detran e com um documento de imprensa do Palácio Iguaçu.
Antônio Martins já trabalhou em diversas revendas de veículos e, segundo o delegado, encaminhava a Miguel as pessoas interessadas em obter o falso reconhecimento de firma.
Os dois disseram que começaram a trabalhar com a autenticação irregular de documentos há uns dois meses, mas o delegado acredita que eles já atuam na área há um ano.
A polícia está realizando investigações para descobrir o fabricante dos carimbos e outras pessoas envolvidas. A pena para a falsidade ideológica é de dois a oito anos de prisão.


