O Dia do Soldado será comemorado hoje em Curitiba apenas nos quartéis, onde acontecem solenidades de formatura dos recrutas, que a partir de hoje serão soldados das Forças Armadas brasileiras. A restrição das comemorações aos batalhões não representa o esvaziamento da data, segundo avaliação do major Thomas Walter Iwersen, que integrou como primeiro-tenente a Força Expedicionária Brasileira na Itália. ‘‘Hoje os militares estão recolhidos aos quartéis e as comemorações deste ano vão integrar melhor os familiares do ex-recrutas com os batalhões em que seus filhos estão servindo’’, diz.
Com 79 anos, o major Iwersen lembra claramente da convocação para o Exército em julho de 1942, ainda antes de o Brasil declarar guerra à Alemanha, Itália e Japão. ‘‘Eu tinha feito o CPOR e concluído a faculdade de engenharia química em Curitiba. Depois, já em Pelotas (RS), fui convocado para integrar a unidade de artilharia em Campo Grande (MS). Em 16 de julho de 1944 desembarcamos perto de Nápoles, no 2º Grupo do 1º Regimento de Obuses Autorebocados’’.
O major Iwersen integrou o primeiro grupo de brasileiros a partir para a Segunda Guerra Mundial. ‘‘Seguimos com cerca de 5 mil homens em navio americano, junto com o 6º Regimento de Infantaria de Caçapava do Sul (RS), mais unidades de engenharia, saúde e logística’’, recorda. Ele só voltou ao Brasil depois do fim da guerra, em julho de 1945. ‘‘A campanha na Itália terminou no dia 3 de maio, pouco antes do Dia da Vitória na Europa, que é comemorado no dia 8 de maio’’, afirma. Ao longo do conflito, 1.542 paranaenses foram convocados.
‘‘Éramos uma divisão do 4º Corpo do 5º Exército norte-americano e as missões eram definidas por eles’’, lembra o major Iwersen. Atuando como observador avançado da artilharia, ele calculava as coordenadas de alvos alemães e passava as informações para a linha de fogo aliada executar os tiros. ‘‘Carregava uma carabina ou uma metralhadora, mas graças a Deus nunca usei’’, diz. ‘‘Meus instrumentos de trabalho eram o rádio-transmissor e o telefone’’.
Na falta de inimigos externos e externos, o major Iwersen aponta os baixos soldos como o principal adversário do Exército brasileiro hoje. ‘‘O soldo de major é de R$ 400,00, que só aumenta por causa de vantagens em função do tempo de serviço, por exemplo’’, afirma o militar reformado, que recebe R$ 2,8 mil por mês.
As cerimônias de conclusão do treinamento dos recrutas, hoje, são o ápice da programação da Semana do Soldado, que começou no dia 18 com um jantar no Círculo Militar e se estende até o próximo domingo, com apresentações da banda de música da 5ª Região Militar no Asilo São Vicente de Paulo (hoje) e no Estação Plaza Show (no fim de semana).

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