Major nega assassinato e chora em julgamento
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sábado, 02 de fevereiro de 2002
Erika Wandembruck Equipe da Folha 
Curitiba - O major João Carlos dos Santos, de 49 anos, integrante do primeiro escalão da Polícia Militar do Paraná, negou ontem durante seu julgamento no Tribunal do Júri de Curitiba a autoria do assassinato da amante Marilli Roccio Delfrate e da filha dos dois, Liziely Delfrate, ocorrido em dezembro de 1998.
O major chorou muito enquanto era interrogado pelo juiz Salvatori Astuti. Diante das denúncias do Ministério Público, em que é acusado de ter matado mãe e filha, ao pressionar os crânios de ambas contra a cabeceira de uma cama na casa em que elas residiam, além de ter ocultado os cadáveres jogando-os às margens da Serra da Graciosa, disse: Não fui eu. Jamais teria coragem de tirar a vida da própria filha. Eu as amava. Sofro muito até hoje.
Ele atribuiu o fato de estar respondendo pelo crime à forma como o delegado responsável pelas investigações, Guttemberg Ribeiro, dirigiu o inquérito. Ribeiro foi arrolado pela acusação como testemunha, mas não compareceu afirmando estar de férias na Bahia. A defesa tentou suspender a sessão alegando que a presença do delegado era fundamental para a absolvição do acusado, mas não foi atendida pelo juiz.
O major afirmou que dois dias depois do desaparecimento da Marilli e da menina, foi chamado pelo delegado para depor. A perícia realizou exames físicos e no tênis que eu usava no último dia em que estive na casa delas, em 14 de dezembro, um dia antes do desaparecimento das vítimas. Constatou que as marcas encontradas na casa eram de sapato diferente do meu e que não havia lesões no meu corpo, contou. Mas apesar do requerimento verbal, completou, a certidão não foi expedida, nem anexada aos autos.
O acusado disse que um preso, cujo nome não se recorda, havia dito a um superintendente que amava Marilli e que Liziely era filha do preso. O detento fugiu na cadeia em 1997 e nunca mais foi recapturado. Ela também me contou que estava sendo seguida por um Fiat preto quando saia do trabalho. Por isso, passei a ir buscá-la. Mas nunca vi esse carro, relatou.
Ele disse que chegou em casa por volta das 22h15 e que uma vizinha e a filha dela o viram chegando em sua residência. Afirmou que nunca foi pressionado pela amante a optar ou por ela ou pela mulher, o que conforme o MP seria a causa do crime. Fomos amantes por dez anos. Eu amava minha mulher e a Marilli. Disse que a mulher dele o perdoou quando descobriu sobre seu relacionamento extraconjulgal.
O julgamento deve se arrastar por todo o final de semana.


