O coordenador estadual do Policiamento Ostensivo Volante (Povo), major César Alberto Souza, esteve ontem em Londrina e garantiu que o projeto que prevê a atuação comunitária da Polícia Militar não prioriza nenhum segmento nos bairros onde já foi implantado há pouco mais de quatro meses. Na última semana, a Folha veiculou reportagem apontando que pelo menos em dois dos quatro bairros londrinenses já beneficiados com a novidade apenas os comerciantes haviam recebido a visita dos policiais.
O major explicou que a região onde o Povo atua é dividida em setores censitários que englobam de 200 a 500 residências cada um. Cada equipe atua no seu setor seguindo a forma que julgar mais adequada. Ele relatou que no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), por exemplo, a equipe do Povo começou os trabalhos visitando as principais ruas do bairro. Como essas vias têm mais estabelecimentos comerciais do que residenciais, os moradores não perceberam a atuação dos policiais.
Segundo levantamento divulgado pelo major, do total de visitas já realizadas em Londrina apenas 23% aconteceram em estabelecimentos comerciais. Os outros 87% das visitas foram a residências. No Jardim Bandeirantes, esse percentual se inverte: 90% das visitas foram no comércio e apenas 10% nas residências.
Embora ressalte os aspectos positivos do projeto, como a redução da criminalidade, o major mantém a autocrítica e diz que o aperfeiçoamento tem que acontecer diariamente. Um exemplo foi o sistema informatizado de repasse de dados através de palm-tops (terminais de mão). Ele exemplificou que os terminais ficaram prontos antes da base de dados e os relatórios não podiam ser passados em tempo real. A empresa fornecedora foi contatada e dentro de cerca de 30 dias deverá resolver o problema.
A maior dificuldade, no entanto, ''é mudar a cabeça do policial''. Conforme Souza, com o aumento da violência, a comunidade passou a exigir que as forças policiais fossem cada vez mais repressivas e ''o policial acabou vestindo a fantasia de super-homem''. ''Temos que mudar a cabeça de toda a comunidade para conseguir mudar a cabeça do policial e resgatar o conceito de que a Polícia é o povo fardado'', destacou Souza.
O major revelou que foram recebidas mais de 1.700 denúncias e 40 marginais (24 apenas em Londrina) foram identificados e presos.

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