O planejamento familiar não é uma prerrogativa exclusivamente feminina. Prova disso é que em Curitiba é cada vez maior o número de homens que recorrem à vasectomia (cirurgia que impede a passagem de espermatozóides durante a ejaculação) como método contraceptivo.
Em 2008 foram 1.317 procedimentos desse tipo contra 1.131 laqueaduras (operação de ligação das trompas em que mulher se torna estéril) realizadas no mesmo período.
Essa proporção também se repete nos anos anteriores. Desde que o município passou a oferecer esses serviços, em 2001, foram realizadas 10.961 vasectomias e 9.115 laqueaduras. Outras 203 vasectomias foram feitas em 2000 antes da oferta de laqueaduras. Esses números se referem aos serviços de referência credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Curitiba disponibilizados através do programa Mãe Curitibana, da secretaria municipal de Saúde.
A predominância da esterilização voluntária masculina pode ser explicada pela maior facilidade e segurança que envolve esse procedimento. Segundo o coordenador do Mãe Curitibana, Edvin Javier, essa é uma cirurgia de pouquíssimos riscos. Ela é feita através de pequenas incisões na bolsa escrotal, utiliza anestesia local e o paciente pode voltar para casa no mesmo dia. Em cada 700 vasectomias realizadas, em apenas uma ocorre a recanalização expontânea, que reverte seus efeitos. Na laqueadura esse índice é bem maior, a cada 200 mulheres operadas, uma volta a engravidar. Além disso, trata-se de uma operação mais invasiva, feita com anestesia peridural e que requer que a paciente fique internada por, no mínimo, 48 horas.
Foram essas diferenças que motivaram Nestor Antônio Filho, 48 anos, a se submeter à vasectomia. Após o terceiro filho, sua esposa se viu impedida de continuar tomando pílula anticencepcional. Como sabia da maior complexidade da laqueadura, ele decidiu informar-se melhor sobre a vasectomia.
"Fui conversar com o médico, saber se iria causar algum problema. São dúvidas normais na cabeça de qualquer ser humano, principalmente homem", conta ele, referindo-se aos medos mais comuns dos pacientes que se submetem à esse tipo cirurgia, como perda da libido e impotência sexual. Segundo Javier, a vasectomia não causa nenhum desses efeitos, trata-se apenas de uma barreira física no caminho dos espermatozóides, dessa forma o indivíduo continua a produzir testosterona (hormônio masculino) normalmente.
Dois dias depois de se submeter à cirurgia, Nestor já estava de volta ao trabalho. Para não correr o risco de engravidar a parceira novamente, o paciente deve eliminar o que resta de espermatozódes no seu sêmen. Após 20 ejaculações, ele já é considerado estéril.

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