Londrina – Não foi dessa vez que os motoristas puderam comemorar a retomada das obras de duplicação da PR-445, entre o Conjunto Jamile Dequech e a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A promessa do governo do Estado era de que a construção, parada há três meses, teria continuidade a partir de ontem, o que não ocorreu devido à chuva registrada desde a madrugada.
Com atrasos constantes no valor que deveria ser repassado à Construtora Sanches Tripoloni, a empresa reduziu o número de funcionários e a obra foi interrompida em janeiro deste ano. "Ninguém respeita a sinalização. É bem complicado passar nesse trecho, ainda mais quando chove. A terra desce da obra e é bem complicado", contou o motociclista Everson Lucas de Matos, que trabalha em uma empresa de esquadrias de alumínio à margem da PR-445, próximo ao cruzamento com a Avenida Waldemar Spranger.
Enfrentar a poeira nos dias secos e o barro nos dias chuvosos também já faz parte da rotina da auxiliar de produção Sindy Martins, que trabalha na empresa ao lado. "Para voltar de ônibus é terrível. A gente demora uns 10 minutos até conseguir atravessar a rodovia para chegar até o ponto. Ninguém para e não tem faixa de pedestre", reclamou.
As obras no trecho urbano da rodovia se arrastam desde o segundo semestre de 2012, quando foi assinada a primeira ordem de serviço. Em dezembro, a Construtora Triunfo entregou parte da duplicação entre a UEL e a área urbana de Cambé, que correspondia ao terceiro lote licitado. Os outros dois lotes, de responsabilidade da Sanches Tripoloni, ficaram pendentes.


O comerciante Mário José Barbosa trabalha há dez anos na marginal da PR-445, próximo à Avenida Dez de Dezembro, e não vê a hora da entrega da duplicação. "O movimento já caiu uns 30% na loja. A gente não consegue nem atender os clientes por telefone por causa do barulho e do movimento de caminhões", explicou.
O engenheiro da construtora responsável pela obra, Mário Ribas, destacou que serão necessários pelo menos dois dias sem chuva para a retomada da duplicação. Conforme ele, 30 funcionários dos setores técnico e operacional devem trabalhar inicialmente para a finalização da obra. "Nós chegamos a ter 280 funcionários pela construtora, além dos outros trabalhadores que executaram serviços terceirizados. O nosso novo prazo é dezembro, mas, se o tempo não ajudar, pode ser que a duplicação seja entregue em janeiro ou fevereiro do ano que vem", afirmou.
Para ele, o ponto mais crítico é o viaduto no cruzamento com a Avenida Dez de Dezembro, por conta do tráfego intenso no início da manhã e final da tarde. Além dos serviços de terraplenagem, serão feitas a pavimentação das marginais e das alças de acesso e a construção de uma trincheira no cruzamento com a Guilherme de Almeida.
A assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que a empresa fez um acordo com o governo do Estado para receber os valores em atraso de forma parcelada. O montante total é de R$ 13,5 milhões. A quantia será paga juntamente com os novos repasses mensais, que serão efetuados conforme a execução dos trabalhos.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Paraná (Sintrapav), Luiz Alves de Oliveira, a empresa prometeu dar preferência aos trabalhadores dispensados na recontratação para retomada da obra. "Eles já conhecem a obra e estão na lista para serem recontratados. A rescisão foi feita no final do ano passado, com tudo pago corretamente, e aqueles que ainda estiverem desempregados poderão voltar", afirmou.(Com Equipe Bonde)

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