Uma pistola de brinquedo que pode facilmente ser confundida com uma arma de fogo de verdade. Foi uma arma como essa que um menino de 13 anos, morador de Londrina, conseguiu adquirir em uma das lojas do Camelódromo, localizado no Centro da cidade, na semana passada. Uma lei sancionada recentemente pelo governador Roberto Requião deve acabar com a comercialização deste tipo de brinquedo no Paraná.
O estudante precisava da arma para participar de uma peça de teatro. Segundo ele, seus pais não queriam que ele saísse para procurar, nem acreditavam que ele fosse conseguir encontrar um brinquedo como esse tão facilmente. ''Foi fácil. Levei uns dez minutos para encontrar. Tinha avistado uma loja que vendia aquelas bolinhas que servem de munição para armas de brinquedo. Nessa loja não tinha, mas eles me indicaram onde eu poderia encontrar, então eu fui e comprei'', contou.
Ainda segundo o garoto, na loja havia dois modelos. Um como a que ele comprou e o outro era metálico, com detalhes cromados, que segundo ele, era ainda mais parecido com uma arma de verdade. ''Comprei essa porque era mais barato que a outra. Paguei R$ 15,00. A outra custava R$ 25,00'', comentou.
''Eu percebi também que lá tinha outras coisas que devem ser proibidas, como carteiras de oficiais, daquelas que mostram o símbolo da delegacia de polícia, por exemplo. Tenho quase certeza que se procurar um pouquinho mais, é possível encontrar outras lojas que vendem também''.
A comercialização de armas que disparam projéteis através de pressão e aquelas com características de armas verdadeiras é proibida por lei estadual desde 1995, mas até agora não existia órgão estadual que se responsabilizasse pela fiscalização do cumprimento da lei. A Polícia Federal, Delegacia de Armas e Munições e Delegacia de Furtos e Roubos afirmam que não têm essa incumbência.
A lei, de autoria do deputado estadual Luiz Carlos Martins, foi sancionada pelo então governador Jaime Lerner mas nunca chegou a ser regulamentada. Há cerca de um mês, o governador Roberto Requião sancionou nova lei, do mesmo deputado Martins. Com o novo texto, ficam proibidas não apenas a comercialização, mas também a fabricação e o transporte desse tipo de arma de briquedo.
A lei deve ser, agora, regulamentada, quando serão definidas as punições em caso de descumprimento e fiscalização. Pelos registros da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), não existe nenhuma indústria que fabrique esse tipo de brinquedo no Estado.
O delegado Luiz Fernando Artigas Junior, da Delegacia de Armas e Munições (Deam), afirma que ''não há um trabalho direcionado no sentido de fiscalizar'', embora a delegacia possa averiguar denúncias. ''Às vezes alguma companhia de teatro nos procura pedindo esse tipo de arma de brinquedo emprestada para encenarem uma peça teatral, mas há anos não temos recebido mais essas armas'', explica.
O delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Furtos e Roubos, afirma que as ocorrências com uso de armas de brinquedo caíram drasticamente desde a campanha pelo desarmamento. ''Lembro de um caso, quando estava no 12 Distrito Policial, há uns quatro anos. Hoje em dia é muito raro ter roubo com arma de brinquedo'', afirmou.
Para o coordenador do Centro de Estudos de Insegurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê de Moraes, as armas de brinquedo que usam chumbinhos e aquelas que imitam armas verdadeiras são desnecessárias. ''Temos relatos de acidentes com elas, além de uso para o crime''.

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