Mais uma denúncia: tortura e extorsão
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Três policiais militares do 18º Batalhão de Cornélio Procópio foram acusados esta semana de sequestrar, torturar e tentar extorquir o produtor rural Darildo Alves Martins, 29 anos, de São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina). O promotor de Justiça de São Jerônimo, José Ricardo Alvarez Viana, acompanhou anteontem o depoimento de Martins contra os PMs Gerson Moreira Freire, André Luciano Menoci e Moisés Crepaldi de Godoy na Polícia Civil.
O sequestro aconteceu no dia 29 mas, com medo de represálias, Darildo Martins hesitou em formalizar a denúncia. Mesmo com as garantias da Justiça, Martins ainda se sente ameaçado. Ele diz que tem evitado sair de casa.
Segundo o produtor, os policiais o sequestraram 10 dias após a queda de um avião monomotor no distrito de Vila Nova, em São Jerônimo, carregado de mercadorias contrabandeadas. Os PMs, segundo a queixa, disseram que os produtos contrabandeados tinham ficado com Martins e o pressionaram a entregar a muamba, ou então pagar US$ 200 mil para não morrer.
Fui eu que tirei o piloto (Eustáquio Geraldo Vasconcelos) todo machucado do avião. Como eu o coloquei dentro da minha picape, as pessoas começaram a dizer que eu tinha catado o contrabando, explica.
Ele e um amigo foram levados para uma fazenda próximo de Curiúva. Lá, conta ele, os dois foram algemados a um tronco. Eles me bateram bastante. Como eu negava ter este contrabando, me arrastaram pelo cabelo até um descampado, dizendo que iriam me matar. Num momento de bobeira do policial, fugi para o mato e fui perseguido. Ele disse que caminhou durante a noite mais de 18 quilômetros até Curiuva, onde fez a queixa para a polícia.
O amigo de Martins foi solto logo em seguida e ameaçado de morte caso comentasse o fato com alguém. Martins preferiu preservar o nome do amigo.Nas ameaças, eles diziam que eu não estava mexendo com policial bonzinho, mas com pistoleiros, destaca.
O promotor José Ricardo Alvarez Viana disse que vai acompanhar de perto as investigações da Polícia Civil. Já ficou comprovado que o policial Gerson Moreira Freire já responde a inquéritos na Justiça Comum. Ele é acusado de abuso de autoridade, desacato (na comarca de Assaí) e tentativa de homicídio.


