Mais um recém-nascido é infectado no HU
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segunda-feira, 03 de setembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Mais um bebê internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina foi colonizado pela bactéria Acinetobacter spp, aumentando para três o número de recém-nascidos infectados.
Conforme o diretor superintentende do hospital, Francisco Eugênio de Souza, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HU decidiu interditar a UTI e a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatal, ''como conduta de proteção, já que as instalações não são ideais''. ''Temos um sistema de controle periódico no qual toda criança e adulto é monitorado'', disse.
Com a coleta de algum tipo de secreção do paciente é possível detectar a presença de microorganismos causadores de infecção. ''Foi assim que descobrimos que os três bebês estavam colonizados'', explicou o diretor.
Segundo ele, as crianças já foram isoladas das demais e seus quadros não foram agravados pela presença da bactéria. Dois dos três bebês apresentam problemas respiratórios mais sérios devido à imaturidade pulmonar.
''Resolvemos confirmar os testes antes de divulgar qualquer informação, já que pode acontecer de ampliar o número de infectados, apesar das medidas de controle já terem sido tomadas'', completou Souza, ressaltando que ainda não há previsão para a reabertura das unidades neonatal.
''Por mais que se oriente os funcionários e as mães sobre os cuidados necessários com os bebês, a proximidade entre as incubadoras e o excesso de trabalho facilitam o processo infeccioso'', constatou o diretor, informando que a superlotação da UCI pode ter contribuído para o aumento do risco de infecção bacteriana.
Ao todo, a unidade pediátrica do HU tem capacidade para internar 17 crianças, sendo sete na UTI e dez na UCI, mas hoje a UCI está atendendo quatro bebês além da capacidade.
Esta é a terceira vez no ano que a UTI Neonatal do HU é interditada. Em fevereiro, pelo menos cinco recém-nascidos foram infectados por uma bactéria resistente, sendo que um deles morreu durante a internação.
Um mês depois, a unidade de Pediatria do hospital foi novamente interditada depois que o ambiente recebeu quatro recém-nascidos que estariam colonizando a bactéria Acinetobacter baumannii.
Em abril, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o governo do Estado do Paraná foram condenados a ampliar em 50% a oferta de leitos nas unidades neonatais do HU. A sentença foi proferida pelo juiz substituto da Vara de Infância e Juventude, Paulo César Roldão, e dava prazo de um ano para seu cumprimento. Com a decisão, o número de leitos da UTI Neonatal passaria dos atuais sete para 11, e os da UCI de 10 para 15.
Conforme o diretor do hospital, o convênio já foi assinado e o hospital aguarda apenas a liberação dos recursos por parte do Ministério da Saúde para dar início às obras. Ao todo, o governo federal deverá liberar R$ 1,7 milhão, sendo outros R$ 200 mil disponibilizados pelo próprio hospital.
Segundo Souza, a maternidade do HU é referenciada para casos de alta complexidade, priorizando a gravidez de alto risco. Com a interdição das unidades neonatal, as mães foram orientadas a procurar outro hospital. ''Por enquanto a maternidade só está atendendo duas grávidas que precisam de acompanhamento por causa da diabetes.''
A interdição no HU refletiu diretamente na lotação da UTI Neonatal do Hospital Evangélico, onde os dez leitos disponíveis estão ocupados. Já no Hospital Infantil, não há superlotação. Dos oito leitos, cinco estão ocupados.
Conforme dados da assessoria de imprensa dos hospitais, o último caso de interdição da UTI Neonatal do Hospital Infantil aconteceu há um ano, em decorrência de um surto de varicela. Já a unidade neonatal do Evangélico nunca foi interditada.


