Curitiba - Dezenas de estudantes, representantes de movimentos sociais e partidos políticos realizaram ontem, no Centro, mais um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, que passou a custar R$ 2,20 na capital e em outros 13 municípios da região metropolitana em 12 de janeiro deste ano. O valor anterior era R$ 1,90.
A passeata de ontem é pelo menos a quarta realizada depois do reajuste do valor. Na semana passada, três estudantes e um policial ficaram feridos depois de um confronto entre manifestantes e policiais. Desta vez, a manifestação foi pacífica.
A comissão montada por manifestantes tentou entregar uma carta para membros da prefeitura com propostas para a melhoria do transporte urbano. O superintendente da Secretaria de Governo, Ivens Pacheco, se propôs a receber o documento em nome do prefeito Beto Richa e da Secretaria de Transportes. O superintendente não aceitou, porém, receber integrantes da comissão de manifestantes dentro do prédio da prefeitura. Ele argumentou que primeiro é necessário avaliar o documento para depois marcar qualquer tipo de discussão. Os manifestantes consideraram a atitude anti-democrática, com intenção de desqualificar o movimento.
No documento, a organização pede a volta da tarifa para R$ 1,90. Outras reivindicações são a do passe livre para estudantes e desempregados, a indenização para vítimas da insegurança do transporte coletivo e a abertura das contas da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), que administra o transporte coletivo da cidade.

Boneco queimado
Com um carro de som, os manifestantes saíram da praça Santos Andrade e caminharam pela travessa Presidente Faria até o Colégio Estadual do Paraná (CEP), onde convocaram mais estudantes para participar do protesto. Do CEP, seguiram pela Avenida Cândido de Abreu até a sede da Prefeitura de Curitiba, onde um boneco com uma foto do prefeito Beto Richa foi malhado e depois queimado pelos manifestantes.
Homens da Polícia Militar (PM) acompanharam o protesto. Agentes da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) orientaram os motoristas que cruzavam com a passeata. Em alguns pontos do Centro e do Centro Cívico houve pequenos congestionamentos.
O preço da passagem de R$ 1,90 estava congelada desde abril de 2004. O reajuste de janeiro elevou o valor em 15,7%. No mesmo período, a inflação foi de 33,85%, medida pelo índice Geral de Preços de Mercado (IGPM), segundo a Urbs. A empresa informou ainda que no período em que o valor da tarifa ficou congelado, o óleo diesel acumulou aumento de 52,2%. A Urbs argumentou, à época do aumento, que a elevação da tarifa vai permitir a ampliação da frota. A previsão é que 152 novos ônibus passem a circular e que 324 sejam substituídos.

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