A partir das 9 horas de hoje começa a ser traçado o destino do investigador da Polícia Civil Reinaldo Siduovski (foto). Ele será julgado em Curitiba pela acusação de participar de uma blitz que terminou na morte do estudante Rafael Zanella, de 20 anos, em maio do ano passado. Reinaldo é o segundo, entre nove acusados, a sentar no banco dos réus. Em outubro, o policial Airton Adonsk Júnior foi condenado a 38 anos de prisão.
O ex-secretário de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira foi convocado para testemunhar em defesa de Siduovski. Mas seu comparecimento ainda não está confirmada. A dúvida é que o ex-secretário poderia requisitar foro privilegiado para ser ouvido por ocupar cargo de confiança na época do crime. Oliveira deixou a Casa Civil em 10 de agosto passado.
A inclusão de Oliveira deixou os familiares de Zanella preocupados. ‘‘É estranho, pois o secretário veio tomar cafezinho na minha casa junto com o governador para pedir desculpas pela morte do Rafael’’, disse Elisabetha Zanella, mãe do estudante. Na época do crime, Oliveira era secretário da Segurança e, segundo Elisabetha, teria declarado que o ‘‘crime era inominável’’.
Para justificar a morte de Rafael Zanella, os policiais chegaram a armar um flagrante por porte de maconha. A droga foi colocada sobre o corpo do estudante. O informante da polícia Almiro Deni Schmidt é apontado como o autor do disparo.
O investigador Reinaldo Siduovski foi denunciado por tortura psicológica, denúncia caluniosa, homicídio qualificado e obstrução da Justiça. O promotor Celso Ribas e o advogado Júlio Militão, que atua como seu assistente, acreditam na condenação de Siduovski, assim como aconteceu com Adonsk. ‘‘Num princípio normal de Justiça, a atuação dos dois foi idêntica’’, disse Militão. Para Celso Ribas, os policiais ‘‘estavam cientes de que agiam irregularmente’’.

mockup