O Tribunal de Justiça do Paraná determinou no final da tarde de anteontem que o oficial de Justiça Luiz Nei da Silva, que atuava no Fórum de Foz do Iguaçu, seja afastado de suas funções. Ele é acusado de cobrar acima da tabela estipulada pela Justiça para realizar diligências de entregas de ordens judiciais e de exigir propina de advogados interessados em ter seus processos agilizados.
Em maio, o procurador do Estado, Paulo Roberto Gomes Junior, denunciou esquema de corrupção envolvendo os oficiais Luiz Carlos Barbosa, Claudio Rogério Alexandre, Mauro Jungs e Divonsir Machado. O procurador elaborou um dossiê em que constam várias irregularidades cometidas pelos oficiais. Apesar de não fazer parte das denúncias da Procuradoria, Luiz Nei da Silva estava sendo investigado pelo Ministério Público depois que 13 pessoas relataram à Justiça que também foram lesadas por ele.
Segundo o promotor Acir Bueno de Camargo, o oficial tinha envolvimento nas mesmas irregularidades cometidas pelos outros oficiais denunciados. ‘‘Depois que ouvimos várias pessoas passamos a investigá-lo e chegamos à conclusão de que ele estava envolvido em mais de um fato criminoso’’, afirmou.
De acordo com Camargo, o oficial é acusado de crime de concussão - quando a pessoa exige direta ou indiretamente, mesmo que fora da função, uma vantagem indevida. A pena para esse tipo de crime é de dois a oito anos de reclusão e pagamento de multa.
Até o final da tarde de ontem, o diretor do Fórum de Foz do Iguaçu, Marcelo Gobbo Dalla Déa, não havia recebido nenhum comunicado oficial sobre o afastamento de Silva. Os outros quatro oficiais de Justiça denunciados também foram afastados das funções após as denúncias da Procuradoria do Estado.
Na época do escandâlo, o oficial Luiz Carlos Barbosa declarou através de documento registrado em cartório que sofre de mitomania (adoração a mentira) e por isso contou ao procurador que tirava vantagens de advogados e de pessoas envolvidas em processos judiciais. No depoimento, além de assumir a cobrança de propinas, o oficial denunciou que seus colegas também usavam a mesma prática. O procurador gravou o depoimento com micro-câmera.
A Folha procurou várias vezes o oficial Luiz Nei da Silva mas não conseguiu localizá-lo.

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