Mais um mês até o topo do K2
Mais um mês até o topo do K2
DivulgaçãoA equipe no acampamento base: comida paquistanesa e quitutes italianosMarcos Freitas
Especial para a Folha
O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, que está no meio de sua maior conquista, a subida do monte K2, no Paquistão, conversou com a Folha pelo wordphone. Niclevicz contou um pouco do seu dia-a-dia e das dificuldades que está tendo para vencer mais este desafio. Ele acredita que dentro de um mês deve chegar ao topo da segunda maior montanha do planeta.
Niclevicz e sua equipe estão caminhando rumo ao terceiro acampamento da subida, que fica a 7.450 metros de altitude. Ele e a equipe já estão há 40 dias no Paquistão.
Estimado Amigo Marcos!
DivulgaçãoWaldemar Niclevicz está a meio caminho do topo do K2, onde deve chegar daqui a 30 diasAqui vamos sofrendo com o tempo, que é muito instável. A via que estamos fazendo é fantástica, exposta e extremamente elegante. Já fixamos mais de 1.500 metros de cordas - é a única forma de garantir uma fuga das elevadas altitudes se o tempo piorar, e isso sempre acontece. Estamos com muitas dificuldades para atingir o acampamento 3, a 7.450 metros, mas não desanimamos.
Aqui só temos um pouco de conforto no acampamento base, e isso é muito importante. Já estamos aqui há 30 dias, e talvez fiquemos mais uns 30. Cada alpinista tem uma barraca, pequena mas suficiente para garantir a privacidade (dormir, escutar um pouco de música, ler um bom livro). Temos uma cozinha com dois cozinheiros - que são ótimos, mas são paquistaneses, assim comemos chapati (espécie de pão) e dhal bhat (arroz com lentilha), com algum molho apimentado (batata com carne, etc). Felizmente a cozinha italiana compensa. Da Itália trouxemos várias qualidades de presunto, queijo e, é claro, um bom vinho tinto. Ainda espaguete, azeitona, e um monte de outros quitutes. Mais isso é no acampamento base, nos superiores passamos horas derretendo neve para fazer um caldinho (sopa de pacotinho), comemos biscoito, chocolate, frutas secas, e qualquer outra refeição de pacotinho de preparo rápido (macarrão, arroz, purê).
Nossas jornadas são sempre longas, em média 12 horas. Levantamos às três da madrugada, dormimos assim que o sol se põe (sete ou oito da noite). Aqui a paisagem é árida, sem vida nenhuma. Paga-se uma taxa de 9 mil dólares para subir o K2.
Desculpe as respostas rápidas, mas estão me chamando para jantar, e estou com uma fome...
Grande abraço para todos os amigos da Folha
Waldemar Niclevicz





