Mais um dia de muito trabalho para os office-boys
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Eles enfrentam filas de banco, tiram fotocópias, visitam cartórios e entregam malotes ao mesmo tempo em que fazem pequenos favores a todos. Extremamente solicitados pelos colegas de trabalho, os office-boys muitas vezes passam despercebidos nos diversos cenários da cidade. Esses garotos que encontraram na função a oportunidade do primeiro emprego não foram esquecidos pelo calendário. Hoje, 13 de abril, é o Dia do Office-Boy.
O corre-corre é a marca registrada da rotina dos ''boys''. Enquanto aguardava sua vez na fila do banco, Tiago Henrique Guaita dos Santos, 18 anos, que trabalha há mais de um ano em uma empresa que produz alimentos à base de soja, contou que também faz serviços de cartório, separa documentos e lida com contratos, atas e contas.
Estreante no mundo do trabalho, ele revelou que a melhor parte do emprego é o contato com pessoas diferentes. ''E a pior parte é andar na chuva'', afirmou o rapaz que, independente do clima, enfrenta a rua e o trânsito para dar conta de suas obrigações. Estudante do 3º colegial, Tiago tem planos de fazer vestibular no começo do ano que vem. A rotina do escritório parece ter influenciado a escolha do curso. ''Vou tentar Administração de Empresas'', disse.
Na fila de um cartório no Centro da cidade, Silvester Stallone Sanches, 16 anos, trabalha há quatro meses em uma clínica médica. ''Vou todos os dias ao banco, entrego serviço dos convênios e exames dos pacientes'', contou ele. O office-boy garante que se dedica integralmente ao trabalho. ''Não fico de conversa mole'', disse o garoto.
O salário mínimo recebido serve para ajudar a família e comprar roupas e calçados. ''É bom ter meu próprio dinheiro'', disse Silvester, que está no segundo ano do ensino médio e pretende estudar Direito. Sobre as vantagens do trabalho, ele acredita que a experiência traz muitas oportunidades de aprendizado. ''No começo é mais difícil. Tudo que aprendo, é conhecimento adquirido'', analisou.
Na contramão de seus colegas, o office-boy Vanivaldo Cordeiro Rodrigues, 17 anos, faz um pouco de tudo no trabalho, mas não enfrenta filas de banco. Há pouco mais de um ano, ele é contínuo na Caixa Econômica Federal (CEF), que contrata garotos e garotas para a função através do programa Adolescente Aprendiz. Os aprendizes são de famílias carentes e chegam à CEF encaminhados por uma entidade. A jornada de trabalho é de quatro horas. Durante a quinta hora na instituição, acompanhados por um funcionário do banco, eles estudam conteúdos pré-definidos pelo projeto.
Vanivaldo faz serviços gerais, o que inclui tirar xerox, levar e trazer documentos e abrir malotes. Ele conta que os ''boys'' às vezes são alvo de brincadeiras dos outros funcionários. ''Mas o pessoal nos trata muito bem'', afirmou. O rapaz, que já trabalhou como catador de papel, cursa atualmente a oitava série. ''Parei por um tempo (de estudar), mas voltei e vou continuar firme. Quero fazer vestibular para Direito'', planeja.


