Mais um dia de confusão na Escola Oficina
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
A Escola Oficina, localizada no Conjunto João Paes (zona norte de Londrina), foi novamente palco de confusão na tarde de ontem. Após uma discussão, dois alunos ficaram feridos, vidros foram quebrados e um grupo de estudantes foi encaminhado ao Conselho Tutelar. Desde que uma nova diretoria designada pela prefeitura assumiu a administração da Escola, em meados de setembro, alguns alunos estariam promovendo badernas e vandalismo.
Segundo relatos dos próprios estudantes, a confusão foi desencadeada quando um grupo de adolescentes que jogava bola quebrou uma janela por acidente. Em seguida, teria havido um bate-boca, após o qual os alunos teriam quebrado algumas janelas. Dois deles teriam se cortado: o corredor em frente à diretoria estava manchado por gotas de sangue.
Em seguida, a Polícia Militar foi acionada. ''Os policiais chegaram acusando um aluno de ter roubado um rádio'', disse uma estudante, que não quis se identificar. Ainda segundo o relato dos alunos, cerca de dez policiais teriam agredido os estudantes e até apontado armas. Eles teriam tentado levar um rapaz suspeito de participar do tumulto, mas os outros alunos não deixaram. De acordo com informações do Conselho Tutelar, a própria diretoria da Escola pediu que os PMs se retirassem para evitar mais confusão.
Após a saída dos policiais, o clima continuou tenso. A porta da diretoria foi fechada e os alunos esperavam do lado de fora, pois queriam falar com a funcionária que teria acionado a PM. Na frente dos jornalistas, alguns estudantes chutaram portas e uma aluna chegou a invadir a diretoria, mas foi retirada em seguida.
A Escola Oficina, que era mantida pela Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) e atende crianças e adolescentes em situação de risco, foi encampada pelo município após a descoberta de supostas irregularidades administrativas. Vinte e cinco funcionários estão sendo afastados. Nas últimas semanas, atos de depredação têm sido constantes no local. ''A outra diretoria era muito melhor'', criticou um aluno. Na segunda-feira, a escola voltou às atividades normais. A municipalização efetiva ocorrerá em janeiro de 2004.
No final da tarde, a prefeitura providenciou vans e passes para que os alunos fossem para casa. Alguns estudantes se retiraram acompanhados de professores, pois diziam ter medo de encontrar policiais na rua. Um grupo de alunos, suspeitos de participação na baderna, foi levado ao Conselho Tutelar.
Logo depois, duas viaturas da PM e três carros da Rone estiveram na escola. Segundo o sargento Marcos Ferreira Johas, a idéia era realizar um arrastão para deter pessoas de fora da Escola que estariam no local, assim como suspeitos de crimes. A operação, entretanto, foi abortada.


