Mais um dia de caos na UBS do Jardim Leonor
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Mariana Guerin <br> Reportagem Local 
Por dois dias o pintor Bruno Edson Ramalho, 20 anos, procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor, Zona Oeste de Londrina, em busca de atendimento médico. Com diarreia e dores de cabeça, ele finalmente foi atendido na tarde de anteontem e ontem pela manhã retornou ao posto para buscar os resultados do exame de sangue coletado na terça-feira. Mal sabia ele que teria de enfrentar uma nova espera: às 7 horas, a fila de pacientes dobrava o quarteirão.
''Na segunda esperei das 15 às 19 horas, quando eles fecharam a porta na minha cara. Na terça, cheguei às 11h30 e só fui atendido às 17h30. Fiquei sete horas na fila e o médico me atendeu em um minuto. Nem consegui falar o que sentia e o médico já me disse que estou com suspeita de dengue'', contou o pintor, que até ontem estava há três dias sem trabalhar.
''Meus sintomas até melhoraram e nem recebi o resultado do exame'', comentou Ramalho, que era um dos quase 200 moradores que aguardavam atendimento na UBS do Leonor na manhã de ontem.
A dona de casa Kely Regina Nora Caetani Ferrero, 37, conseguiu a última senha, de número 145, entregue por volta das 7h30. ''Me pediram para chegar às 4 horas, mas achei muita humilhação então cheguei às 6h30. Minha filha faltou na escola e trouxe meu caçula porque não tinha com quem deixá-lo. Só vamos sair daqui quando formos atendidos'', declarou Kely, que foi até a UBS para agendar o retorno dela e da filha com o clínico geral.
''Depois que descobri que estava com diabetes passei a frequentar mais o posto, mas nunca vi tanta gente. Da última vez que vim, há um mês, quando fiz os exames, estava tranquilo. Cheguei umas 7 horas e às 9 horas já estava liberada'', lembrou a dona de casa, que estava sem café da manhã e ainda teria um dia inteiro de espera pela frente.
A aposentada Osvalda Tamião Berbel, 67, conseguiu agendar um retorno com um clínico geral para 17 de março. Ela chegou à UBS às 4h50 da manhã e só foi atendida às 8 horas. Já o pintor João José Maria, 58, não foi tão feliz: ele entrou na fila às 6h40 e ficou sem senha. ''Vim ontem (anteontem) para remarcar uma consulta com um otorrino para a minha esposa e como não tinha atendente, me pediram para voltar hoje (ontem) de manhã. Mas fiquei sem senha e minha esposa, sem consulta.''
A diarista Lucinéia Gomes de Deus, 30, pegou a senha 123 de outro paciente que desistiu de enfrentar a fila. Ela iria perder um dia de trabalho para pegar os resultados de um exame realizado em janeiro. ''Se este posto fechar estamos perdidos'', disse a diarista, que entrou na fila às 5 horas da manhã.


