A polícia de Curitiba acredita que o assassinato do cobrador de ônibus Jeferson de Sousa, 21 anos, tenha ocorrido porque ele conhecia os assaltantes. O cobrador foi morto com um tiro no peito à queima roupa, por volta das 22 horas de segunda-feira. Ele trabalhava na linha Catedral-Bracatinga, considerada muito violenta. Dois homens entraram armados e levaram R$ 77,25. Souza é o segundo cobrador assassinado neste ano durante assalto a ônibus. O primeiro foi morto em maio, e provocou um grande protesto dos trabalhadores do setor que paralisou o trânsito da capital por cerca de seis horas.
Ontem, durante o velório de Souza, motoristas, cobradores e, principalmente, a família da vítima não se conformavam com a morte e cobravam ação rápida da polícia. ‘‘Eu sinceramente espero que a polícia capture logo esses caras’’, disse o manobrista Claudinei de Souza, 22 anos, um dos 11 irmãos de Souza. Claudinei morava com Jeferson e trabalhava na mesma empresa. ‘‘Fazíamos tudo juntos. Para mim isso não é verdade’’, disse, inconformado.
O motorista Samuel Pereira da Silva, 37 anos, que trabalhava com a vítima no momento do assalto, era um dos mais emocionados. ‘‘Isso não é justo’’, afirmou ele, que, segundo os motoristas que estavam no velório, pediu demissão após o homicídio. ‘‘Hoje somos como peixes no mar. Não temos defesa nenhuma’’, comparou. Samuel chorava bastante e demonstrava estar muito perturbado. ‘‘Eu não pude fazer nada’’, justificava-se aos companheiros.
O delegado operacional Edu da Silva Furtado Filho, da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos, disse que já tem suspeitos do crime. Ele espera pedir a prisão preventiva dos acusados dentro de 48 horas. Furtado afirmou que não pode fornecer maiores informações para não atrapalhar as investigações. A maior dificuldade da polícia, segundo ele, seria o fato de as únicas duas testemunhas terem fugido do local e se negado a prestar depoimento. ‘‘As declarações do motorista não ajudaram muito’’, revelou.

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