Mais tempo na escola para viver melhor
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Três vezes por semana, um agradável som de violinos invade os corredores do Colégio Estadual Professora Maria José Aguilera, no Conjunto Cafezal (Zona Sul), no final da tarde. Da sala de onde as melodias são entoadas, a professora Regina Maria Grossi Campos alimenta o sonho de ver nascer novos musicistas. Ela é responsável por um dos 12 projetos desenvolvidos com o objetivo de envolver os alunos em atividades esportivas e culturais e promover maior participação da comunidade na vida escolar.
O Aguilera faz parte de um grupo infelizmente pequeno ainda de instituições que perceberam que transformar a escola em um ambiente de saudável convivência, onde se aprende mais do que o previsto no currículo básico, e para onde se pode trazer a família nos finais de semana, é uma boa receita para diminuir os índices de violência e vandalismo entre crianças e jovens.
Artigo publicado recentemente pela Folha, de autoria do jornalista Devaldo Gilini Júnior, destacou que erradicar a violência das escolas depedende mais de disposição de educadores e comunidade do que de dinheiro. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que apóia um programa para manter as escolas abertas durante os fins de semana, com atividades de lazer e recreação, estima que com investimentos de R$ 4 a R$ 6 por aluno é possível afastar a insegurança, acabar com depredações e ainda reduzir os índices de homicídios entre jovens.
O diretor do colégio do Conjunto Cafezal, Norberto Giacomini, confirma os benefícios desta forma de encarar a educação. ''Temos 1,8 mil alunos e não enfrentamos problemas com roubo, por exemplo. Para as crianças, a escola torna-se uma extensão de suas casas, e aí passam a respeitá-la. Com as famílias é a mesma coisa. Trazê-las para dentro da escola é fundamental para realizar um bom trabalho.'' Todos os sábados, mães de alunos fazem oficinas de trabalhos manuais e os alunos ligados ao projeto de capoeira podem treinar na sala equipada com tatame, também destinada às aulas de judô.
Em alguns casos, os benefícios das atividades extrapolaram os seus limites. A mãe e o irmão da aluna Lizandra Duarte de Oliveira, que faz violino há quatro anos, também resolveram entrar para o mundo da música, e hoje aprendem violão e teclado, respectivamente. ''A música deixa a vida da gente mais alegre'', resume a garota. Ao todo, 32 alunos de seis a 17 anos aprendem os segredos do violino, outros oito estudam violoncelo e mais 80 fazem canto coral. Os projetos contam com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e envolvem também alunos da Escola Municipal Dr. Joaquim Vicente de Castro, vizinha do Aguilera.
Em outra instituição, a Escola Estadual Célia Moraes de Oliveira, no Parque Waldemar Hauer A (Zona Leste), o papel da comunidade foi determinante para traçar uma nova realidade. Com recursos conseguidos em festas, rifas e contribuições, pais e educadores já conseguiram cobrir dois pátios, construir uma sala de apoio educacional e comprar equipamentos. Nos próximos dias, fica pronta a cobertura da quadra esportiva.
''Hoje não temos um vidro quebrado na escola. Tanto alunos como comunidade valorizam o espaço que têm. Todos encamparam a idéia de trabalhar por uma escola de qualidade'', afirma a diretora Ana Felícia de Bittencourt, que contudo ainda tem receio de abrir a escola nos finais de semana. Isto, segundo ela, ''por uma série de motivos'', inclusive falta de funcionários. ''Não me sinto segura'', admite.


