Mais sete fogem do 5º Distrito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
Sete presos fugiram do 5º Distrito Policial (DP) por volta das 7 horas de ontem e deixaram o único policial que tomava conta do local trancado em uma cela. Segundo o investigador Eliseu Martins, o preso de confiança Valdomiro Gonçalves da Silva lhe pediu para abrir a porta do corredor das celas para tirar o lixo. Quando abriu a porta, Eliseu foi surpreendido por ele e outros seis presos, que estavam no corredor devido à superlotação das celas.
Waldomiro avançou sobre mim junto com mais seis presos. Eles me renderam ameaçando com um estoque (punhal). Em seguida eles me colocaram em uma cela e trancaram a porta com cadeado. Fiquei junto com mais dois presos que não quiseram fugir, contou o investigador.
Eliseu Martins disse que saiu da cela com ajuda de três presos, que permaneceram em outra cela, trancada apenas por um parafuso. No momento da fuga havia 30 presos nas três celas. A capacidade total do DP é para 12 presos. As outras celas do 5º DP estão desativadas, porque foram destruídas durante uma rebelião. Os presos que fugiram são Ronaldo Macielo, Valdomiro Gonçalves da Silva, Valter Gonçalves Ferreira, Edmilson Magalhães da Silva, Lorival Alves de Souza, Marcelo Alves Fernandes e Marcelo Roberto Caetano. Eles foram presos por crimes como furto, estelionato e porte de substância tóxica.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisao Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes, afastou o policial Eliseu Martins de suas funções e mandou abrir inquérito para apurar a responsabilidade da fuga. É a segunda vez em que ele (Eliseu) está de plantão e acontece fuga. Em fevereiro deste ano, fugiram 40 presos do 3º DP quando este mesmo policial fazia a segurança do local. Desta vez, coincidência ou não, ele abriu a porta da cela quando estava sozinho, minutos depois que um policial militar saiu do turno. O policial militar passou a noite no DP, ajudando na segurança das celas, afirma o delegado-chefe.
Wanderci Corral Fernandes observa que, na semana passada, havia alertado todos os delegados distritais para as fugas, que são mais comuns na época de Natal e Ano Novo. Se o policial estava sozinho no distrito, não podia abrir a porta do corredor. Isso, no mínimo, representa desobediência.
Eliseu Martins disse que queria adiantar os trabalhos do dia e outras vezes, naquele mesmo horário, já havia aberto a porta do corredor para o preso. Valdomiro saía e entrava normalmente. Eu jamais pensei que ele iria fugir. Faltava pouco tempo para ele sair em liberdade e neste casos os presos nunca fogem, explicou o policial. Ele ressalta que os outros presos que fugiram não são perigosos e em breve também ganhariam liberdade. Ele diz que, em 18 anos como policial, sempre teve comportamento excelente. Nós queremos ajudar, procuramos ser honestos, mas este sistema errado nos condena por um crime que não praticamos. Estamos fora de nossa função, fazendo trabalho de carcereiro em celas lotadas, que podem explodir a qualquer momento.
Segundo Martins, o que falta é um sistema de segurança profissional nos DPs. A Penitenciária de Londrina, por exemplo, não tem fugas porque lá o sistema funciona.
Quanto à fuga dos 40 presos do 3º DP, em fevereiro, Eliseu Martins conta que foi rendido por um preso armado com revólver logo depois que assumiu o turno. Até hoje não consigo entender como a arma foi passada para o interior das celas.
Vários policiais procuraram a Folha ontem e se disseram descontentes com a insegurança dos DPs. Eles pediram para não ser identificados. Um agente afirmou: A Polícia Civil segurou este rabo de foguete, colocando policiais na guarda dos DPs, em detrimento da segurança da Cidade. Hoje, poucos investigadores trabalham realmente como policiais. Isso mostra o sucateamento da polícia e falta de política de segurança. Não é à toa que Londrina está sofrendo esta onda de assaltos por falta de policiais nas ruas.


