Aumento da curvatura da lombar, inchaço nas pernas, respiração mais ofegante e dificuldade para conseguir dormir. Estes são apenas alguns dos incômodos que as gestantes sentem com as mudanças que ocorrem no organismo. No entanto, essas transformações não precisam interferir tanto na qualidade de vida das futuras mães e, como afirmam os especialistas, a atividade física pode ser o principal aliado para esse bem-estar.
''Percebo que a maioria das minhas pacientes gestantes não pratica atividade física durante à gravidez, porque não é um hábito incorporado por elas. Não faz parte da cultura da maioria das brasileiras'', afirma o ginecologista e obstetra Alexandre Moreira Fernandes, de Londrina. ''É comum ouvirmos uma mãe ou uma avó recomendando que a mulher faça a menor quantidade possível de esforço para não perder o bebê, o que acaba influenciando que a grávida tenha até uma justificativa cultural para evitar o exercício.''
De acordo com Fernandes, desde que não haja nenhuma restrição específica diagnosticada pelo médico, durante a primeira avaliação, a prática de atividade física pode ser realizada sem nenhuma problema logo no início da gravidez e até os últimos meses.
''A única limitação seria um quadro de pré-eclâmpsia, uma gravidez prematura, ameaças de aborto ou risco de descolamento de placenta. Fora isso a atividade física não só pode como deve ser praticada pela gestantes pelos inúmeros benefícios que traz'', recomenda o obstetra, acrescentando que os exercícios teriam benefícios, principalmente, para as gestantes que já passaram dos 40 anos, desde que seguindo as orientações de um educador físico e adequando as atividades à faixa etária e ao estado de saúde da futura mamãe.
Fernandes destaca que a atividade mais completa para as gestantes seria a hidroginástica, porque o exercício promove a melhora cardiorespiratória, a diminuição do inchaço nas pernas, o fortalecimento muscular e o relaxamento do corpo, aumentando a qualidade do sono. Além de impactar menos as articulações, já tão sobrecarregadas naturalmente pelas mudanças corporais neste período. ''Até a postura da futura mamãe se modifica, o que dá condições para que ela suporte melhor os quilos a mais durante os últimos gestacionais'', completa.
Alongamento
A fisioterapeuta e docente do curso de Fisioterapia da Unifil, Cristhiane Yonamine, que trabalha com o condicionamento físico de gestantes, tanto o alongamento quanto as demais atividades físicas têm contribuído para, até mesmo, a realização do parto normal. ''Durante uma sessão de fisioterapia, por exemplo, elas aprendem técnicas de respiração, desenvolvem a flexibilidade, o fortalecimento abdominal e do assoalho pélvico, que serão essenciais para o sucesso da realização do parto normal'', avalia.
Segundo ela, o ideal é que a grávida busque uma orientação de um educador físico e que as atividades sejam graduais. ''Um caminhada leve com uma amiga pode ser uma boa alternativa tanto para a melhora da saúde da gestante, de forma geral, como para o aumento de sua disposição no dia a dia'', acrescenta.
''Não podemos dizer que uma mãe que pratica atividade física terá um bebê mais saudável, mas podemos afirmar, com certeza, que ele terá muito mais chances de se desenvolver em um ambiente mais saudável'', complementa Moreira.

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