Imagem ilustrativa da imagem Mais respeito no trânsito
| Foto: Gustavo Carneiro
Faixa na Avenida Lúcia Helena Gonçalves Viana foi instalada há uma semana: pedido dos comerciantes



Alternativa utilizada pela Prefeitura de Londrina para tentar reduzir o número de acidentes em pontos de tráfego intenso de pedestres e veículos, as faixas elevadas tiveram sua eficácia questionada no início das primeiras implantações. Instrumento já bastante utilizado em países da Europa, elas tiveram de superar inclusive divergências nas leis de trânsito brasileiras antes de serem vistas como possibilidades viáveis em solo brasileiro. Passados quatro anos da instalação da primeira unidade em Londrina, a avaliação é de que as faixas elevadas são instrumentos eficazes e foram aprovadas pelos pedestres.
"Elas apresentaram uma efetividade muito boa, realmente dá uma segurança muito maior que somente a faixa normal. É uma educação tanto para o pedestre, que agora sabe que tem um local certo para atravessar a via, como para o motorista, que aprendeu a respeitar o pedestre", analisou a presidente do Ippul, Ignes Dequech. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) é responsável pela elaboração dos projetos.
A reportagem da FOLHA percorreu alguns dos 30 pontos em que a faixa elevada foi instalada mediante projeto executado pelo Ippul. Não há como negar que ainda existe muito desrespeito, tanto de motoristas como de pedestres, mas a mudança de atitude é notória. "Aqui já notamos uma diferença boa. Os motoristas estão respeitando mais", contou o empresário Rafael Milani Rodrigues, que mantém sua empresa instalada há mais de 20 anos na Avenida Lúcia Helena Gonçalves Viana, no Jardim Pacaembu (zona norte).
Ele conta que a instalação da faixa elevada, que completa na terça-feira (16) uma semana, foi um pedido dos próprios comerciantes do local, que se acostumaram a levar sustos diários com as freadas e atropelamentos na movimentada via, ligação da zona norte ao centro da cidade. "Já tive dois funcionários que foram atropelados. Morei aqui por 20 anos e sempre teve morte, praticamente todo mês tinha um. É uma avenida onde era quase impossível atravessar, o pessoal tinha que se arriscar muito", acrescentou o empresário.
A aposentada Juraci Vicente Vieira, de 64 anos, é moradora do Jardim Pacaembu e diz que sempre teve receio de atravessar a via. Ela conta que a instalação da faixa facilitou a travessia, mas ainda não dá para confiar 100%. "Tem hora que eles não param, ainda não dá para ter certeza. Mas já é uma ajuda importante para resolver o problema aqui, sempre foi uma via muito complicada", compartilhou a moradora.
A presidente do Ippul reforça que o número de pedidos para a colocação de novas unidades tem aumentado bastante. Segundo ela, a indicação de faixas elevadas é para locais onde há exigência de travessia de pedestres diante de um tráfego intenso de veículos, como próximos a entrada de postos de saúde, escolas e supermercados. Foi o que motivou a instalação na Avenida Inglaterra (zona sul). Depois de uma morte por atropelamento, a faixa elevada foi cobrada por moradores, cansados dos sustos por ali. "Melhorou bastante. O motorista já vê de longe essa faixa vermelha, diferente de onde tem só a faixa no chão. Não que não vá mais haver acidentes, mas os motoristas estão mais conscientes", apontou o aposentado Joaquim Carlos Geraldi, que todos os dias passa pelo local. "Moro aqui há 20 anos e já tinha tomado alguns sustos", recordou-se.
Outro ponto em que as elas foram bem aceitas é na Avenida Leste-Oeste (centro), próximo ao número 500. O técnico em radiologia, Joacir dos Santos, utiliza a travessia todos os dias para ir ao trabalho. E conta que a colocação das faixas elevadas, no início de 2012, facilitou a vida de quem trabalha ali por perto. "Ajudou muito", elogiou. "Sou defensor das faixas, acredito que todas as vias deveriam ter, para facilitar ao pedestre. Só assim para os motoristas respeitarem", defendeu.

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