Londrina - Há 11 anos, o pastor Clayton Massao Santos, 33 anos, sai às ruas na tentativa de oferecer uma nova oportunidade para quem está sem casa, sem trabalho e afastado da família. Com um grupo de voluntários, oferece sopa, pão e palavras de otimismo. "Quando terminei o Seminário Evangélico, decidi ser pastor. Em Anápolis (GO), passei a cuidar das pessoas e a ser reconhecido pelo meu trabalho", diz. Pastor Clayton integra o grupo Missão Vida, com mais de 30 anos de atuação nos núcleos de Londrina e Rolândia. Definido como um Centro de Recuperação para Mendigos, o grupo tem abrangência nacional e foi fundado em 1983.
Segundo o grupo, existem três etapas de acolhimento: triagem, recuperação e reintegração. "No Brasil, são atendidas 600 pessoas e nosso lema são três ‘S’: sopa, que é o alimento; sabão, pois oferecemos cuidados; e salvação de confiar em Cristo", explica o pastor. Com a ajuda de dez voluntários, ele distribui sopa em dois pontos de Londrina há dois anos e admite: "A minoria aceita ir para a casa de acolhimento, mas temos resultados gratificantes, como o de um ex-interno que hoje é advogado".
De acordo com o pastor, só a unidade de Rolândia atende 20 pessoas por noite e ele diz que o perfil de quem mora na rua mudou bastante nos últimos dez anos. "Hoje há mais mulheres e homens nas ruas, todos muito jovens, e as drogas têm muito a ver com esse quadro, principalmente o crack", lamenta.
Vidas transformadas
Quem chega para tomar ou servir a sopa se reúne em um círculo. Palavras de fé e esperança são ditas e depois que o pastor oferece vaga a quem quiser ir para o Centro de Recuperação, o silêncio é quebrado. Um rapaz dá o primeiro nome e afirma querer "mudar de vida". Jeferson é um homem alto, sorridente, tem 31 anos, nasceu em Londrina, já trabalhou como recepcionista e diz que gostaria de se reaproximar dos filhos. "Sou um adicto, um escravo das drogas e gostaria que essa data fosse um marco para eu comemorar uma vitória", pede. A costureira Lucimara Ramos é voluntária há dois anos e comenta que se doar ao próximo tem sido transformador. "Meu esposo tinha esse sonho de ajudar, de se doar um pouco. Soubemos da Missão Vida na Igreja Presbiteriana e essa é uma experiência impactante, que nunca imaginei que seria tão positiva", afirma.
Segundo o pastor, a maior dificuldade para que os moradores de rua aceitem ir para um centro de recuperação é o fato de terem que abandonar a ausência de rotina e se adaptarem a novas regras. "Lá eles trabalham e têm uma rotina equilibrada. Na casa existem regras, como a obediência aos horários e a sopa é feita pelos próprios internos. Por isso, alguns desistem da adaptação", aponta. A unidade oferece atendimento gratuito para homens a partir de 18 anos. Cerca de 90% das despesas são bancadas pelos voluntários, por meio de uma ficha de compromisso no valor de R$ 15.

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