Julia, da raça Golden Retriever, tem apenas dois anos de vida, mas uma enorme responsabilidade pela frente. Em janeiro, ela conhecerá seu parceiro e passará a guiá-lo por todos os lugares, durante muitos anos. Mas para que ela possa conduzi-lo tranquilamente, foi preciso receber diversos treinamentos e um tratamento diferenciado desde os primeiros dias de vida.
Esse trabalho de muita dedicação e amor ao próximo é realizado pelo Instituto Cão Guia Brasil, centralizado em Niterói (RJ). O projeto vem sendo desenvolvido desde 2006 sob a coordenação do psicólogo George Thomaz Harrison, que também é treinador.
Em passagem por Londrina, Harrison enfatizou a importância desse trabalho ao revelar que no Brasil esse tipo de ação ainda é pouco conhecido e apoiado. De acordo com ele, em todo o país existem cerca de 80 cães guias e uma população de deficientes visuais estimada entre 13 e 16 milhões, conforme divulgado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos. ''A fila de espera no nosso Instituto é de 12 mil pessoas. Para essas pessoas conseguirem um cão guia hoje, em nosso país, é como se fosse ganhar na loteria'', ironiza.
Enquanto países como Estados Unidos e França conseguem treinar e disponibilizar 1,6 mil cães anualmente, no Brasil esse número cai para 10. ''Estamos lutando para mudar essa realidade, através de parcerias. Mas precisamos também de um maior envolvimento do governo, no sentido de incentivar, como por exemplo, criar leis de incentivo fiscal e ações que ajudem no treinamento de cães guia'', afirma.
Os investimentos para cada cão guia giram em torno de R$ 30 mil, que são aplicados em vacinas e vermífugos diferenciados, alimentos balanceados, acompanhamento veterinário contínuo e uma equipe de treinadores, que vão tornar o animal apto a guiar um ser humano.
Seleção
''A primeira fase do treinamento é a seleção do cão. Em uma ninhada, verificamos quais cães têm potencial. Em seguida, é a socialização. Eles vão aprender a conviver em sociedade de maneira adequada, como por exemplo, não se distrair com outros animais, aprender a frequentar lugares públicos e a perceber o movimento do trânsito'', explica o treinador.
A última etapa é o treinamento específico, em que o cão aprende a usar o equipamento que o guiará. Essa etapa leva de seis meses a um ano até a entrega do cão para o parceiro.
A Golden Retriever Julia passou por todo esse processo, que só foi possível pela parceria com a Brazilian Pet Foods, empresa de Arapongas (Norte), que se tornou a patrocinadora oficial do projeto Cão Guia Brasil. ''Conhecemos o trabalho do George em uma feira e nos apaixonamos pela atitude. Há um ano e meio, firmamos uma parceria e agora esperamos que a sociedade também passe a se envolver com a causa'', diz a gerente de Comunicação e Marketing da empresa, Laurita Fila Bortoletto.
As pessoas interessadas em ter um cão guia não terão nenhum custo e devem se inscrever no site do Instituto. A seleção é feita de acordo com o perfil do cão e da pessoa, considerando a velocidade de andar, rotina e dinâmica de vida. ''Assim que nós acharmos um parceiro, vamos ensiná-los a interagir. Juntos, eles vão formar um time. Eu digo que é igual um casamento'', completa Harrison.
Serviço - Mais informações nos sites www.caoguiabrasil.org.br, www.iris.org.br e www.brpetfoods.com.br

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