No ano passado, a Patrulha Escolar da Polícia Militar, que atua em mais de mil escolas estaduais em todo o Paraná, realizou um total de 140 mil atividades. O coordenador-operacional do programa, major Loemir Mattos, explica que 97% delas foram ações preventivas, como reuniões com diretores dos colégios atendidos e conversas ou palestras com os alunos. Apenas nos 3% restantes, o que corresponde a cerca de 4,2 mil ocorrências, foi necessária a intervenção da PM para resolver algum problema ou ato infracional. Isso dá uma média de 21 intervenções para cada um dos 200 dias do ano letivo.
''Mas nem tudo é briga'', ressalta Mattos. ''Hoje está na moda o furto de celulares e aparecem também casos de porte de tóxicos e armas'', acrescenta. Em 2007, mais de 40 armas foram apreendidas por policiais da Patrulha dentro ou nos arredores de escolas, número 30% menor ao registrado em 2006.
Segundo o major, boa parte das brigas surgem principalmente por causa de disputas por namorados. Um problema mais grave seria a participação em gangues, que brigam para obter uma espécie de domínio sobre o colégio.
O major conta que, quando os conflitos não resultam em feridos, os policiais da Patrulha tentam intermediar um acordo entre os alunos envolvidos, chamando para a conversa seus pais e a direção da escola.
''Normalmente isso resolve mas existem casos em que há lesões, braços quebrados ou hematomas, em que não há a mediação do conflito e o caso é encaminhado para a delegacia'', afirma.
Leomir Mattos diz ainda que os problemas, em geral, são gerados por pequenos grupos de alunos que influenciam outros estudantes. ''Em escolas com 1,5 mil alunos, se você for analisar quantos são os alunos-problema, vai chegar a cinco ou dez. Esses acabam tumultuando toda uma escola'', explica.
A opinião é compartilhada com o promotor de Justiça Salvari José Dias Mancio, da Vara de Adolescentes Infratores de Curitiba, que também atua na mediação de conflitos entre alunos que se envolvem em brigas. ''Se dentro da escola temos mil alunos, 50 no máximo precisariam de um reforço pedagógico mais acentuado'', declara. (R.L.)

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