Mais prédios e mais trânsito no Centro
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Em 2009 e nos próximos anos, o centro de Curitiba deve ganhar pelo menos seis empreendimentos de grande porte. Juntas, essas construções irão ofertar 1.338 apartamentos e pelo menos 1.733 vagas de garagem (a Gafisa, responsável pelo edifício Orbit, não informou o número de vagas do empreendimento), o que irá representar um crescimento expressivo da população e do número de carros da região. A situação, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA, pode agravar o problema de trânsito da área.
Os seis prédios, localizados no retângulo formado pelas ruas Visconde de Nacar, Visconde de Guarapuava, Brigadeiro Franco e Vicente Machado, representam, por exemplo, um aumento populacional de 4% nessa região caso todos os apartamentos sejam ocupados por, pelos menos, uma pessoa. A taxa normal de crescimento da população na região é de 0,24% segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Já as vagas de garagem apontam para um aumento de 3,27% no número de carros registrados no bairro, que é atualmente de quase 53 mil veículos segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). "Não existe rua que suporte a quantidade de carros que um prédio suporta. Porque a cidade cresce para cima, mas as ruas não.", aponta o engenheiro civil e professor de Engenharia de Tráfego da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Akishino.
Para Akishino, "o que o aumento no número de vagas de garagem no Centro representa é uma outra análise". "O que se pode dizer é que, se o tráfego continuar aumentando e nada for feito, vamos chegar ao caos. E aí só tem duas alternativas: aumentar as vias ou tirar os veículos delas", aponta.
"Esse problema tem em toda cidade. Se você colocar os carros em fila, dez dão 60 metros. Ou seja, 20 carros já ocupam um quarteirão", avalia. Para o professor, não há estudos suficientes do impacto de grandes prédios no trânsito da cidade. "Em alguns empreendimentos, esse tipo de análise não existe", diz.
O problema, avisa Akishiro, não se limita ao Centro. "Mesmo no licenciamento de loteamentos nos bairros não há um estudo do impacto que o projeto trará ao tráfego na região, o que poderia até prever problemas que observamos hoje", aponta.
Segundo o engenheiro civil Eduardo Ratton, também da UFPR, a prefeitura tem mecanismos para avaliar o impacto de grandes empreendimentos. "Acima de 10 mil metros quadrados é realizado um estudo de impacto de vizinhança como parte do relatório de impacto ambiental da obra", informa. "Se a prefeitura autoriza, ela é responsável pelas consequências", completa.
"É feito no caso de pólos geradores de tráfego, como shoppings, supermercados, quando o empreendedor precisa apresentar um projeto viário", explica Akishiro.
Ratton, no entanto, aponta que é possível que o trânsito vá piorar em locais de grande concentração de pessoas. "É uma situação complicada porque o público-alvo de grandes empreendimentos não é usuário do transporte coletivo", aponta. Essa situação, diz, "aponta para a crescente necessidade de implantação de novos modais de transporte de massa que seja seguro, rápido e eficiente".
Para ele, a construção de prédios de grande porte no Centro é uma tendência. "A prefeitura incentiva para que haja um repovoamento da região, o que é uma tendência em todas as grandes cidades", aponta.
O alto preço de áreas do centro da cidade também contribui para que a dimensão dos projetos seja significativa. "O empreendedor adquire potencial construtivo para construir o maior número de andares possível porque isso dilui o preço do terreno e aumenta a lucratividade", completa.


